Águas que movem moinhos

Edição: 686 Publicado por: Marilda Vivas em 04/03/2020 as 08:55

 
Leitura sugerida

Março

A palavra “março” surgiu na Roma antiga, quando era o primeiro mês do ano e chamava-se Martius, de Marte, o deus romano da guerra.

O calendário foi modificado pelo segundo imperador romano, Numa Pompílio (700 A.C - 673 A.C.), que acrescentou dois meses (janeiro e fevereiro).

Março marcava o início da primavera, um evento lógico para se iniciar um novo ano, bem como para que se comece a temporada das campanhas militares.

O deus Marte, simbolicamente, é o impulso de Vontade que cria o vazio sem forma (Caos) antes da manifestação do Universo. Na sequência, a esse primeiro impulso vem Vênus para dar forma à matéria. Por isso o Homem está ligado à Vontade e a Mulher à Harmonia.

Estas são virtudes fundamentais para as batalhas que travamos no nosso dia-a-dia, não contra um inimigo externo, mas aos impulsos que estão dentro de nós, como obstáculos para vivermos a nossa natureza humana. (Via Nova Acrópole - Mossoró-RN).

 

8 de Março

Dia Internacional da Mulher. A data, oficializada em 1975 pela ONU, resulta da luta histórica das mulheres pelos seus direitos. A escolha do dia 8 de março, por sua vez, está relacionada com a greve das operárias russas de 1917.

No geral, a história das mulheres esteve marcada pela submissão, bem como pela violência.

A despeito de hoje em dia a mulher ter alcançado muitos direitos, a luta ainda continua, visto que ainda sofrem com o preconceito, a desvalorização e o desrespeito.

No Brasil, foi em 1932, no governo Getúlio Vargas, que as mulheres adquirem o direito ao voto. Em 2006, por sua vez, foi sancionada a Lei n.º: 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida popularmente como  Lei Maria da Penha. A lei é considerada um marco na história de luta das mulheres brasileiras contra a violência doméstica.

 

Violência

Segundo o Atlas da Violência 2019, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), houve um aumento de 30,7% no número de feminic-idios no Brasil entre 2007 e 2017, com cerca de 13 assassinatos por dia. Ao todo, 4.936 mulheres foram mortas em 2019, o maior número registrado desde 2007. Nesse período, houve crescimento da taxa em 17 estados, sendo o maior índice o do Rio Grande do Norte, de 214,4%, seguido por Ceará (176,9%) e Sergipe (107,0%). Já no ano de 2017, o estado de Roraima respondeu pela maior taxa, com 10,6 vítimas de homicídio por grupo de 100 mil mulheres, índice mais de duas vezes superior à média nacional (4,7). Os índices com maior redução foram os do Distrito Federal, Espírito Santo e São Paulo, entre 33,1% e 22,5%. De acordo com o estudo, a média de aumento no Brasil em 2017 foi de 6,3% em relação ao ano anterior. (Fonte: Agência Senado).

 

Curandeiras

“Uma curandeira precisa saber caminhar descalça, dançar batendo os pés no chão, levantando poeira e se perfumar de terra.

Uma curandeira precisa saber mergulhar na chuva, tomar banho de rio e se purificar nas águas do mar.

Uma curandeira precisa ouvir o vento, sentir no cheiro da brisa que passa, quem vem e quem está a partir.

Uma curandeira sabe o tempo das coisas, de nascer e morrer, de chegada e partida. Ela não adoece, porque sabe dos ciclos da vida e que nesse ciclo, inclui-se a morte.

Uma curandeira canta suas dores, trança suas tristezas, banha em ervas a inveja e o mal olhado, ilumina o rezo na vela acesa no altar, sopra as bênçãos ao vento pois ele sabe onde tem de levar...

Uma curandeira ouve a mãe terra nas solas dos pés e “pressente” a chuva, a visita, o perigo.

Uma curandeira sabe-se protegida, caminha acompanhada e conversa com seus protetores sem duvidar do que “ouve”.

Uma curandeira tem fogo aceso, chá e café pras visitas. Ouvidos atentos, pois nas palavras não ditas, se esconde a semente do mal.

Uma curandeira observa a tudo em silêncio, aquieta a voz e cala as palavras, para não se meter em cumbuca apertada, feito macaco curioso.

Uma curandeira bate as folhas para deixar no chão o que é do chão e sopra a fumaça do tabaco pra levar pro ar o que é do ar.

Uma curandeira usa flores como medicina, nas águas que espargi nos corpos sutis.

Uma curandeira tem olhar tranquilo, pois não briga mais com o inevitável. Entrega, confia, aceita e agradece. Tudo faz parte do aprendizado.

Uma curandeira conhece as fases e as usa em benefício de seu crescimento.

Uma curandeira cria sua própria caminhada.

Uma curandeira sabe que os degraus da estrada a leva pro alto, então simplesmente segue, sem reclamar da subida.

Uma curandeira carrega seus filhos junto ao peito, pois sabe que a cria precisa se manter aquecido e protegido, como estava em seu ventre.

Uma curandeira tem mãos suaves, com elas acaricia e abençoa.

Uma curandeira tem abraço de sol, seu coração ilumina outros corações, mas, uma curandeira é justa e muitas vezes usa palavras mais duras para trazer a realidade os que andam perdidos e buscam seu auxilio. 

Uma curandeira, ainda que solitária, sabe-se parte de uma teia e zela com amor os pontos que tece.

Uma curandeira não prende, liberta. Ensina a voar para que outras curandeiras possam despertar!”

(Fonte: nossosagradofeminino.blogspot.com/2017...; Rose Kareemi Ponce).

 

Infância e memória

Longe vai o tempo. Mas, por mais longe que se vá, com a ajuda da memória, abrir o baú lacrado pelo tempo volta a ser coisa de criança. Ainda que ganhe novos contornos, reinventar o já vivido é possibilidade que não cessa. Memória não gosta de acomodação.

 

Sugestão de leitura

Lançando mão da narrativa como técnica de ensino, “Frutas e seus frugíveros” nos ensina a olhar para a Natureza, enxergar suas sutilezas, descobrir o belo e compreender o valor de cada ser na dinâmica da vida. Lucia Maria Paleari (Org.). Botucatu: REDE Sans, FINEP, 2017 e PUB. Disponível em: ibb.unesp.br/Home/Departamentos/ Educacao/frutas_e_seus_frugivoros.pdf

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