O Valenciano

Edição: 686 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 04/03/2020 as 09:36

 
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Data de 1832 o primeiro jornal de Valença. Denominado de O Valenciano, a edição inaugural saiu em um sábado, 26 de maio. De formato pequeno, medindo 22 por 30 centímetros (tamanho equivalente ao de uma folha A4), continha apenas quatro páginas divididas em duas colunas cada, e foi impresso no Rio de Janeiro, na Typographia Nacional.

Conforme estampado logo abaixo do título em letras garrafais e maiúsculas, tratava-se de um “JORNAL DA SOCIEDADE DEFENSORA DA LIBERDADE, E INDEPENDENCIA NACIONAL DA VILLA DE VALENÇA”. Fundada em setembro do ano anterior, com o valor da joia de entrada e da mensalidade de mil reis de cada um dos 29 sócios, a Sociedade Defensora obteve êxito em editar esse jornal, inaugurando assim a imprensa local. O editor era o presidente da entidade, Visconde de Baependy. Já a função de redator coube ao padre intelectual João Joaquim Ferreira de Aguiar, membro da Sociedade Defensora que foi eleito pelos demais integrantes para esse fim.

Em sua primeira edição, o jornal informa que o presidente do conselho (Visconde de Baependy) fora o autor dos estatutos da Sociedade Defensora; que o padre João Joaquim Ferreira de Aguiar fora nomeado redator por ato assinado pelo primeiro secretário, Nicolao Antonio Nogueira Valle da Gama, no dia 3 de abril de 1832, esclarecendo que a princípio a escolha do redator nomeado recaíra no padre mestre João Baptista Soares de Meirelles, mas que este “alegando a sua continuada falta de saúde e longa idade (66 anos), pedio dispensa da redação do Jornal, pra que havia sido eleito, e lhe foi concedida”; publica a ata de criação da Sociedade Defensora; nas páginas internas, imprime o discurso proferido pelo Visconde de Baependy no momento anterior em que se procedeu à eleição do Estado Maior do Batalhão da Guarda Nacional da Villa de Valença, que nomearia oficiais para as patentes de tenente coronel, major, ajudante e porta bandeira; e, fechando a edição, na quarta e última página apresentava a relação dos oficiais definidos para integrar o referido Batalhão, que era subdivido em seis companhias: Visconde de Baependy como tenente coronel e chefe do Batalhão de Valença, Camilo José Pereira de Faro como major, Antonio Diniz Costa Guimaraes como tenente-ajudante e Custódio Ferreira Leite como alferes porta-bandeira.

Na capa do jornal havia ainda dois textos explicativos, que foram mantidos nas edições subsequentes. O primeiro informava que jornal sairia uma vez por semana, que o valor para assinatura seria de “6U000 rs por anno, e 3U000 rs por seis meses, pagos adiantados”, e ainda trazia o nome dos representantes do jornal na Corte e em Valença, com seus respectivos endereços, onde seria possível fazer assinatura, subscrever e até mesmo comprar exemplares avulsos. O outro texto explicitava os fins daquele jornal: “sustentar por todos os meios legaes a Liberdade, e Independencia Nacional, auxiliando a acção das auctoridades Publicas, todas as vezes, que se faça mister a bem da ordem, e tranquilidade Publica, usando do direito de petição para as medidas, que não estiverem ao seo alcande, e ainda quando se julguem necessárias medidas maiores reclamadoras somente por meios legaes; promover a Agricultura, principal riqueza d’este Termo; a Instrução Publica, principal fundamento do Edificio Social; a Industria, e Artes, bases da Felicidade Nacional”.

No dia 15 de agosto daquele mesmo ano o padre Aguiar informa que havia recusado a gratificação que deveria ser paga a ele (redator), mas que o jornal tinha somente 83 assinantes naquele momento, e que precisava de no mínimo 150 para se autofinanciar. Mesmo com dificuldades financeiras, O Valenciano se mantém com a periodicidade semanal até os 20 de setembro de 1833, quando então a capa da quinquagésima edição anuncia que o jornal encerrava suas atividades, tendo 117 assinantes anuais. Coube ao incansável padre Aguiar a despedida: “Como Redactor temos a declarar aos Srs Assignantes, que com este número terminou a Assignatura (...) e cordialmente almejamos que todos vantajosamente progressem em suas tarefas”.

 

FONTE: Artigo baseado nas informações contidas no livro “Imprensa Valenciana”, do jornalista Gustavo Abruzzini de Barros.

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