O COVID 19 e a Economia: da China a Valença

Edição: 688 Publicado por: Sonia Vilela em 18/03/2020 as 10:00

 
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Na primeira semana de março de 2020 foi divulgado o modesto crescimento da economia brasileira para 2019, bem abaixo das projeções. Não bastasse tudo isso, o Coronavírus chega no Brasil, primeiro de forma importada, e depois por propagação dos residentes, agora com o nome científico de COVID 19. As discussões são de toda ordem: economia, educação, saúde, transporte, logística, política, geopolítica e envolve até as questões psicológicas do isolamento. A questão da globalização toma o porte do domínio, contra proposituras nacionalistas de alguns países. É pra valer, estamos interdependentes, é fato! O resultado das bolsas brasileiras que tiveram impactos negativos superiores às demais pelo planeta afora. Lembrei-me que para retornar ao “status quo “, devo citar Celso Ming que ao abordar o tema exemplificou matematicamente: Se houve queda de 100 para 50, a queda foi de 50%, porém, para sair de 50 e chegar novamente a 100, terá que crescer 100%. Realmente, o caminho de volta tende a ser mais longo. Vale lembrar que esse setor é para aportes de longo prazo. O que vale discutir é qual será o impacto na China? E qual será o impacto global? A redução na produção na China provocou uma avalanche na redução na demanda de insumos importados e nas commodities, com ele o petróleo e, consequentemente derrubou seu preço. Só isso já explicaria uma boa parte da queda das transações na bolsa brasileira. A despeito de entrar na discussão do mérito, de quem ganha e quem perde, com a queda do preço do petróleo, nessa crise de oferta. É importante destacar que hoje o petróleo brasileiro, por conta do pré-sal, é extremamente competitivo. Segundo divulgado pela estatal em dezembro de 2019, o breakeven point (valor pelo qual a produção é economicamente viável) o da Petrobras, é de dezesseis dólares o barril, e de exploração seis dólares o barril, conforme publicado no jornal Valor Econômico do dia 4 de dezembro de 2019. Para o gigante americano é de 45 dólares. Portanto, a garantia da produção para a Petrobrás com preços baixos denota o ganho de produtividade promovido pelo pré sal.

Agora, como fica a economia do Rio de Janeiro? Estima-se que, com as perdas com os royalties, segundo divulgado por Adriano Pires do CBIE, a queda na arrecadação no Estado do Rio de Janeiro e Municípios será de um terço do total previsto anteriormente. Não só isso, mas também a perda de outras fontes arrecadadoras, pela redução da produção e do consumo, principalmente do setor de comércio e serviços (bares, restaurantes, viagens). Portanto, essa contração da economia é latente, o que reforça a necessidade de muitas responsabilidades nos gastos públicos, bem como, com os gastos pessoais, já que não temos previsão de quando tudo retornará à normalidade. Provavelmente, demorará mais tempo do que gostaríamos, as previsões econômicas não são otimistas. Porém, vamos torcer que não haja uma proliferação incontrolável que traduza em perdas irrecuperáveis, como o bem mais sagrado: a vida humana. Já foi dada a largada, e que venha na economia o “stop and go” que nos permita ainda neste ano, reverter os impactos negativos da doença. Para finalizar, vou citar Joelmir Betting: “A gestão da economia tem apenas dois problemas: quando as políticas fracassam e quando as medidas funcionam”.

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