Bola fora

Edição: 688 Publicado por: Marilda Vivas em 18/03/2020 as 15:41

 
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Apesar de ter sido orientado a permanecer em isolamento social, no último domingo (15) Bolsonaro foi ao encontro de apoiadores e manifestantes em Brasília. Fez selfies, tocou e foi tocado por pelo menos 272 pessoas. Ao que se saiba, é o único chefe de Estado no mundo a minimizar a “pandemia” que assola países como a Itália, Irã, Coreia do Sul dentre outros.

 

Outro nível

Na segunda-feira (16/3) o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou novas medidas para conter o avanço do coronavírus. Em pronunciamento que fez à nação, além de ordenar a suspensão de contas de eletricidade, água e gás e aluguel por 45 dias, ele divulgou medidas como uma quarentena geral de 15 dias no país e o fechamento das fronteiras por 30 dias.

Nesse sentido, além do fechamento de escolas, bares, restaurantes, cinemas e estádios, que valia desde sábado (14), foram proibidas reuniões familiares e encontros entre amigos. Sair de casa, nem pensar. Somente se houver extrema necessidade. Quem desobedecer às orientações poderá ser punido.

Já no resto da Europa, as fronteiras dos países que formam o Espaço Schengen ficarão fechadas para estrangeiros pelo prazo de 30 dias. A medida extrema é uma forma de tentar conter a propagação e aliviar sobretudo os serviços de reanimação nas UTIs dos hospitais.

 

Espaço Schengen

Trata-se de um tratado de livre circulação de pessoas em 26 países da União Europeia sem precisar passar por controle de passaporte. Funciona como “fronteiras internas” de um único país, onde as viagens são consideradas domésticas. No entanto, o turista que não for cidadão ou residente de nenhum desses países deve portar obrigatoriamente o passaporte.

São signatários do acordo de Schengen os seguintes países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, França, Finlândia, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Liechtenstein, Malta, Noruega, Holanda, Polônia, Portugal, República Tcheca, Suécia, Suíça.

Cada país específico pode reativar o controle de suas fronteiras sempre quando houver algum risco para a segurança nacional.

Até segunda-feira (16), diversos países europeus tinham fechado completa ou parcialmente suas fronteiras para estrangeiros. (elondres.com/o-que-e-o-espaco-schengen/)

 

E Valença?

Pelo observado, faça sol ou caia chuva, até segunda-feira (16) o clima era de festa. Não são poucos os que andam reclamando nas redes sociais com o comportamento que vem sendo adotado pelo valenciano.

Eu mesma, de passagem pelo Jardim de Cima, no sábado (14) onde fui presenciar a singela homenagem prestada à Marielle Franco e Anderson Gomes no segundo ano de seus assassinatos, fiquei estupefata com a quantidade de crianças, jovens e adultos que ocupavam o espaço compreendido entre o coreto e o entorno do Monumento à Inteligência.

Mordaz, mas construtivo, meu amigo Hernani não deixa de ter razão quando posta a seguinte observação em sua mídia social: “Sábado, domingo passa o dia inteiro amontoado na rua dos Mineiros e Jardim de Cima tomando birita. Segunda feira reclamando que o trabalho tem que ser suspenso porque tá com medo do coronavírus!”.

Bom, é possível que muitos digam que estar nas ruas tomando birita e celebrando o dom da vida e as alegrias do futebol, neste momento histórico, não tem nada demais. Afinal, pelo que se sabe, aqui em Valença o coronavírus ainda não matou ninguém, não é mesmo? E depois, se o bicho tivesse pegando, nem o mito saía de sua caverna. Se saiu é porque está tranquilo e está favorável, não é mesmo?

Errado. Não é bem assim que banda toca. Se, aparentemente, nosso país leva uma vantagem enorme em relação aos países europeus, justamente por não termos sidos atingidos, drasticamente, ainda, as medidas restritivas que estão sendo adotadas para alguns setores específicos, ainda que tímidas, devem ser adotadas em quaisquer situações análogas por cada um de nós. Quebrar o elo de uma corrente que se quer forte no município e em todo o país é fortalecer uma epidemia que cedo ou tarde vai dar com os costados aqui. Sigamos as regras, portanto. Também nesse caso, não é não.

 

No Brasil

Setores pensantes do país, entre os quais o Conselho Nacional de Saúde (CNS), reivindicam a suspensão imediata da Emenda Constitucional 95/2016, conhecida por Teto dos Gastos, que congelou por 20 anos investimentos públicos nas áreas sociais. O objetivo é obter mais recursos para enfrentar o avanço do coronavírus.

Dados divulgados pelo CNS indicam que a Emenda já tirou R$ 20 bilhões do SUS. Nesse momento, não precisa ser gênio para entender, transferências de verbas para o SUS é uma questão de vida ou morte.

O SUS, ainda que subfinanciado e sucateado desde sua criação, assim como outras instituições públicas, como as universidades e a FIOCruz, precisam urgentemente de recursos, o que só pode ser obtido com a revogação desta emenda.

Sem esquecer que o Brasil também está sob fogo cerrado de patologias como dengue, sarampo, sífilis, HIV/Aids, tuberculose e outras manifestações afins. Com a palavra o Supremo Tribunal Federal.

Outras medidas, à semelhança do que vem sendo adotado na Europa, também são necessárias para o enfrentamento do coronavírus aqui no Brasil.  

 

Li e reproduzo

“Há muitos anos, um aluno perguntou à antropóloga Margaret Mead o que ela considerava ser o primeiro sinal de civilização numa cultura.

O aluno esperava que Mead falasse a respeito de anzóis, panelas de barro ou pedras de amolar. Mas não. Mead disse que o primeiro sinal de civilização numa cultura antiga era um fêmur (osso da coxa) quebrado e cicatrizado. Mead explicou que no reino animal, se você quebrar a perna, morre. Você não pode correr do perigo, ir até o rio para beber água ou caçar comida. Você é carne fresca para os predadores. Nenhum animal sobrevive a uma perna quebrada por tempo suficiente para o osso sarar.

Um fêmur quebrado que cicatrizou é evidência de que alguém teve tempo para ficar com aquele que caiu, tratou da ferida, levou a pessoa à segurança e cuidou dela até que se recuperasse. “Ajudar alguém durante a dificuldade é onde a civilização começa” disse Mead.

Estamos no nosso melhor quando servimos aos outros. Sejamos civilizados neste período, mesmo não fazendo parte do grupo de risco.” (Autor desconhecido).

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