Epidemias

Edição: 689 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 25/03/2020 as 08:26

 
Leitura sugerida

A primeira epidemia que se tem registro no município de Valença foi de varíola, e aconteceu no ano de 1832. Os moradores da então Vila atravessaram um período de sérias apreensões, sendo que naquela época ainda não havia vacina, tampouco hospital em Valença.

O violento surto epidêmico da varíola, apelidada de “doença da bexiga”, atacava preferencialmente as pessoas pobres, que eram recolhidas e levadas para uma pequena casa existente na encosta do Morro do Benfica. Quando faleciam, os corpos dos “bexiguentos” eram enterrados em locais altos e distantes da Vila, chamados à época de “cemitério de bexiguentos”.

Em outubro daquele mesmo ano, o comendador Silveira Vargas, então presidente da Câmara, tornou obrigatória a vacina contra a varíola. E em 1835 já funcionava em Valença uma “enfermaria de emergências” para os doentes declaradamente pobres. A direção desse pioneiro “hospital” era de responsabilidade do comendador Araújo Leite, que o mantinha à sua própria custa. Somente em 1838 foi inaugurado o primeiro hospital da Santa Casa de Misericórdia de Valença, graças ao prestígio do Conde de Baependi. A partir de então os moradores locais passaram a receber gratuitamente medicamentos, fornecidos pelo boticário Josué Antônio de Queiroz, bem como serviços do cirurgião Casemiro Lúcio de Azeredo e do médico José Leopoldino Gamard.

Mas a estrutura da Santa Casa não foi suficiente para atender o grande número de pacientes infectados pelo segundo grande surto epidêmico de Valença. Desta feita foi a “cólera morbus” que surgiu apavorando os habitantes. Em sete de janeiro de 1856, a Câmara teve que solicitar ao governo da província fossem enviados à Valença médicos e enfermeiros para auxiliarem no combate à doença.

Também a epidemia da febre amarela surgiu em diferentes épocas durante o século 19 em Valença, ocasionando muitas mortes, na sede e também nos distritos. Em 1892, a doença acometeu numerosos moradores dos povoados de Santa Isabel e Barão de Juparanã. Neste último distrito, a febre amarela reapareceu com mais intensidade em 1899, constatando-se somente em junho a existência de 101 doentes atacados do mal, dos quais, dez vieram a falecer.

Por fim, em 1918, a gripe espanhola levou para o leito grande quantidade de valencianos, e não foi pequeno o número de casos fatais.

Deve-se registrar, ainda, a abnegação de ilustres cidadãos valencianos que muito contribuíram para combater e superar todas essas epidemias ocorridas no município ao longo de sua existência. Dentre eles, destaca-se o doutor Francisco Júlio Xavier, conhecido pela alcunha de “o médico da pobreza”, que ficou marcado na memória regional por “sua medicina de bondade, de fraternidade e de desinteresse”!

 

FONTE: Valença de Ontem e de Hoje, de Leoni Iório.

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...