O impacto econômico sobre informais e pequenos comerciantes

Edição: 690 Publicado por: Luiz Antônio Corrêa em 01/04/2020 as 08:38

 
Leitura sugerida

Os desafios que se colocam para todos os brasileiros diante da pandemia do coronavírus são imensos. Como disse no artigo que publiquei em meu site, o problema pede ao país uma grande dose de sensibilidade, bom senso e inteligência nessa situação emergencial.

No artigo, referi-me à bomba-relógio que é a chegada da doença nas comunidades do Rio de Janeiro. Áreas com altíssima densidade demográfica, pouca incidência de luz solar e ventilação e geralmente, muitos moradores em pequenos espaços de convivência, quase sempre em condições insalubres de saneamento. Falamos de um custo humano e econômico sem precedentes.

Agora, quero trazer a público outro problema que me preocupa e, no meu entender, exige medidas extremas e imediatas. Falo do impacto econômico que a epidemia causará sobre trabalhadores informais e pequenos comerciantes. O quadro econômico, que já não era animador antes da evolução da doença, tende a ficar caótico.

A taxa de informalidade em nosso país aumenta desde 2016 e está em seu maior patamar. Em 2019, segundo o IBGE, os informais atingiram o número de 38,4 milhões de pessoas entre os trabalhadores ocupados. São pequenos vendedores de porta em porta, feirantes, comerciantes não formalizados, prestadores de pequenos serviços, revendedores de produtos cosméticos, motoristas e motociclistas de aplicativos, diaristas, manicures, cabeleireiros e muitas outras atividades que dependem da entrada diária do dinheiro para o sustento da família. Se não considerarmos – e rápido – um programa de renda mínima podemos condenar milhões de pessoas à miséria.

Mas enquanto as ações macroeconômicas não saem do papel, podemos tentar ações menos complexas para ajudar nossos conterrâneos de Valença e também sermos ajudados. Acredito que se juntarmos esforços, enfrentaremos mais dignamente a crise.

É uma ideia simples, mas depende do envolvimento de vários segmentos da sociedade. Espero convencer comerciantes, Poder Público, a ACIVA, a imprensa local e os próprios consumidores. Neste momento em que o contato humano deve ser reduzido ao mínimo possível, seria interessante termos listas de telefones ou números de whatsapp de feirantes, verdureiros, açougues, mercadinhos, doceiros, pessoas que vendem comidas congeladas, produtos alimentícios artesanais, lanches e outros vendedores que, dispostos a entregar seus produtos em nossas casas, consigam manter as vendas e algum rendimento.

O benefício é de todos. Por um lado, evita-se a circulação de pessoas nas ruas. Por outro, conseguimos manter uma rede de comércio que não coloque em risco os pequenos comerciantes e informais.

Mas precisamos de três coisas para isso acontecer. Alguma entidade pública formalizar e distribuir essas listas. Os consumidores desenvolverem a consciência de que esse consumo – comprar dos pequenos – será fundamental na sobrevivência de muitos trabalhadores. E os comerciantes e informais terem cuidado redobrado nas regras sanitárias. Chegou a época do consumo consciente. E isso significa ajudar e ser ajudado. Juntos podemos sair da crise.

Luiz Antônio Corrêa (PL) é deputado federal e Membro da Confederação Nacional de Municípios

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...