Mente quem diz ...

Edição: 690 Publicado por: Marilda Vivas em 01/04/2020 as 08:39

 
Leitura sugerida

Lunik 9 (Gilberto Gil)

O momento foi histórico. O fato, classificado pelo autor como simples resultado do “desenvolvimento da ciência viva”, nos remete à chegada do homem à Lua, em 1967, a bordo da Apollo 11.

“Lá se foi o homem / Lá se foi buscando / A esperança que aqui já se foi”, escreveu ele, temeroso diante da nova tecnologia e sem deixar de lado o senso crítico que habita a alma dos quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, numa nítida alusão à 1964. Sim. Em 1967, vivíamos o início do endurecimento da ditadura militar no Brasil e na América Latina, para ficarmos só em casa.

O tempo caminhou. Contudo, o distanciamento de uns cinquenta e poucos anos obtidos entre o fim do pesadelo e a eleição recente de um mito inteiramente descacetado para presidir o país, mais que atiça minha vontade de dizer que, felizmente, nem todos os versos de Lunik 9 foram proféticos.

Tudo bem que continuamos sem saber lidar com nosso planeta. Mas, a Lua... A Lua continua vazia e inteira: ilumina sonhos, atiça curiosidades, traça tramas e embala noites de amor envolta em mistérios. Intrigante e verdadeira, é bom saber que está onde sempre esteve, com suas fases e seus humores. Lidar com a Lua tem sido mais fácil que lidar com mito.

Quanto aos versos a seguir, continuarão a ser cantados por mim como profecia que não se profetizou. E nisso, meu coração, e creio que o do Gil também, está pacificado: desse perigo, escapamos todos.

 

“Poetas, seresteiros, namorados, correi

É chegada a hora de escrever e cantar

Talvez as derradeiras noites de luar”

“Lunik 9”, para fins de registro, fala sobre a busca humana pela Lua ao longo dos tempos, dos poetas aos cientistas. Foi composta e gravada por Gilberto Gil para o disco “Louvação” em 1967.  

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Receita para disseminar a peste

No Século XIV, os fanáticos guardiães da fé católica declararam guerra contra os gatos nas cidades europeias.

Os gatos, animais diabólicos, instrumentos de Satã, foram crucificados, empalados, desossados vivos ou jogados nas chamas.

Então os ratos, liberados de seus piores inimigos, se fizeram donos das cidades. E a peste negra, transmitida pelos ratos, matou trinta milhões de europeus.

(Eduardo Galeano. “Os filhos dos dias”. Editora L&PM, p. 237).

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Opinião

Não sei, e isso é mera especulação, até que ponto podem ser toleradas determinadas ações e pronunciamentos, pontuais e “independentes”, de grupos ou de pessoas que querem, ao modo, contribuir com o quadro instalado no nosso município, ante a ameaça que nos ronda: o Convid 19.

Temos autoridades constituídas. Responsáveis por levar a bom termo tudo o que vem sendo delineado no cenário mundial.

Não estamos acéfalos. A Secretaria Municipal de Saúde dá mostras de estar atenta a tudo que se passa. É demais para minha cabeça, tendo o entendimento que tenho da complexidade que tem sido equacionar ações que preservem o maior número de vidas possíveis ao redor do mundo, observar que, em Valença, começa a aparecer um aditivo que nem deveria existir: ações e atitudes isoladas do poder público municipal a quem, via de regra, cabe ditar e prover as condições necessárias para sairmos desse quadro com os menores traumas possíveis.

Foco é o que não nos pode faltar. E solidariedade, também.

Repudio daqui, com veemência, qualquer tipo de protagonismo que coloque em risco a integridade emocional, física e mental de todos nós, valencianos.

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