“Vamos chamar a (TV) Rio Sul”

Edição: 345 Publicado por: Samir Resende em 12/06/2013 as 16:41

 
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Tá aí uma frase que eu sempre escuto quando estou mergulhado na agitação política sindical da minha cidade, lugar que encontrei para defender o direito fundamental da escola pública de qualidade. Valença enfrenta uma guerra cotidiana contra um pensamento conservador que atrasa, inclusive, a nossa Revolução Burguesa. Vivemos sobre o império do baronato e do coronelismo, onde o carisma de um político está associado ao compadrio que ele tem com seus cabos eleitorais e ao rancor autoritário que guarda dos adversários.

 

Tenho sérias dúvidas se a TV Rio Sul, uma afiliada das Organizações Globo, está mesmo interessada em nossos problemas. Acho que ela está aqui apenas para fazer negócio com a desgraça alheia. Seja vendendo propaganda a preço pornográfico, seja vendendo facilidades para os governos de plantão. Em São Paulo, o Movimento Passe Livre, que racionalmente luta para que a força de trabalho capitalista possa se locomover eficientemente nas grandes metrópoles, é atacado pelo conservadorismo mercadológico dos políticos e da imprensa. Se é assim na maior cidade do país, imagina aqui nesse vale de vaquinhas pastantes (tô falando das que mugem).

 

Não sou comunicólogo, mas tenho severas críticas ao modo como o jornalismo é feito no meu país. Achar que a Rede Globo e etc. estão preocupados com a gente é a mesma coisa que achar que o prefeito de Valença “tinha mudado”. É claro que não podemos menosprezar o poder que a mídia tem, mas não podemos ficar adictos daquilo que ela fala. A transformação que queremos para nós e para o mundo ainda passa, infelizmente, pelo barulho e pelo incômodo. Nas passeatas, no fechamento do trânsito, nas pichações das vias públicas abandonadas, nas greves, no absenteísmo, nas denúncias do Facebook, no combate ao homofobismo, racismo, evangelismo comercial, exploração do trabalho, no associativismo organizado, nas posses culturais, no boicote a empresas, na caridade, na abstinência, na educação... Aliás, é muito engraçado ver na TV o povo (sempre entrevistam o motorista particular, nunca o usuário de transporte público) reclamando das passeatas em SP, cidade que o transito já não anda mesmo, independente de protestos.

 

Há tempos não víamos uma greve de professores e funcionários tão justa como a da Rede Municipal de Ensino. Ao obrigar os pais e mães de Valença a ficarem com seus filhos em casa, a gente dá um remédio amargo para uma doença ruim que se abateu sobre o nosso povo: o coitadismo. Coitada da nossa escola pública! Está sem merenda, está infestada de escorpião, a professora (que restou) está a ponto de explodir, o vergalhão está atravessado no meio do pátio, e o que nós fazemos para melhorá-la? Nós mandamos nossos filhos para lá, tranquilamente, sem nos preocuparmos com os responsáveis por tudo isso!

 

Não quero saber se o Exu Cara Feia deixou a cidade nesse estado, eu quero é a oferenda! De preferência carregado no dendê! Quem é responsável pelo ativo, é responsável pelo passivo. E se o Prefeito de Valença, Álvaro Cabral, não resolver botar os bigodes de molho, abrir o diálogo com a sociedade, respeitar o decoro e a probidade administrativa, que a Câmara dos Vereadores cumpra o seu papel, pois até crime de perjúrio já foi confessado naquela Casa. Doença ruim, remédio amargo.

 

Chamada dos aprovados em concurso público, gratificação de insalubridade para as creches e o Cimee, reforma emergencial nas escolas, auditoria no Previ Valença, fim das nomeações politiqueiras e dos cargos fantasmas, transparência na gestão pública (accountability), respeito às leis... Será que é tão difícil governar Valença? Engraçado é que quando abrem “processo seletivo simplificado” para governar a cidade (eleições) aparece, no mínimo, meia dúzia.

1 comentários

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Claudia Soares em 12/06/2013 às 22:03 disse:

Concordo demais com você.Fiquei muito satisfeita com seu comentário no quarto parágrafo, onde você diagnostica muito bem uma das principais doenças de Valença : o Coitadismo. Espero, sinceramente que a população se conscientize e nos apoie. A nossa greve é muito justa. Obrigada por nos apoiar e por escrever esse artigo.
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