Quando o vento muda...

Edição: 348 Publicado por: Hélio Suzano em 04/07/2013 as 09:59

 
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Temos vivenciado dias memoráveis. A explosão das ruas externa um difuso sentimento de insatisfação diante da incapacidade do Poder Público em atender os anseios da sociedade. Um transbordamento do copo com seus excessos personalistas, casos de corrupção e incompetência generalizada, falta de diálogo e total incapacidade dos governantes para ouvir. Em meio a essa fúria pacífica vieram atos de violência e vandalismo de gente infiltrada, de interesses inconfessáveis.

Sabe-se pouco da dinâmica destes movimentos em tempos de redes sociais. Sabe-se apenas que, aparentemente não têm líderes, e que também aparentemente, percebe-se o dedo do extremismo agindo nas sombras. Entretanto, o movimento cresceu... Cresceu mais do que se supunha, e engoliu qualquer manipulação que pudesse de alguma forma existir. Absorveu pautas locais e nacionais para melhoria do dia a dia da população, promovendo uma manifestação mais ampla e democrática.

“A cidade muda não muda”, era o que dizia um cartaz erguido por uma jovem manifestante em São Paulo. Emblemática frase num País onde esquerda e direita pouco significam para a população. Não fazem nenhum sentido prático e traduzem-se por ser o resumo de uma mistura de farsas e ignorâncias acondicionadas pelo tempo e por interesses, impregnadas de fisiologismo e rancores. Os partidos políticos vêm nessa esteira, refletindo esse vazio, essa falta de conteúdo.

A Democracia precisa de partidos fortes e de participação popular durante todo o mandato. Não podemos cair no erro de achar que todo político é safado e que a desmoralização geral da política é definitiva. É muito melhor uma democracia repleta de falhas e desacertos do que uma ditadura de esquerda ou direita onde estas falhas e desacertos estejam encobertos pela truculência do silêncio.

Localmente não é diferente. A política personalista e assistencialista criou uma Valença leniente com o malfeito, silenciosa e indiferente que de uma hora para outra, foi vomitada nas ruas através de passeatas e greves. Ainda que oportunistas tenham tentado se utilizar deste movimento, enfiltrando-se sorrateiramente, se passando por manifestantes, fingindo comungar da indignação geral, ainda assim, o movimento foi e é legítimo. Os valencianos estão demonstrando sua impaciência e intolerância com a velha política. Eles não admitem mais serem usados: nem pelos tradicionais políticos, nem pelos radicais e fundamentalistas e muito menos pelos politiqueiros oportunistas e vagabundos. Valença quer deixar para trás as rusgas políticas, as picuinhas eleitoreiras e avançar, prosperar para enfim assumir seu verdadeiro papel no Estado do Rio: de um Município gigante em tamanho e em atitudes e onde a força da inteligência seja mais que apenas um monumento na praça.

Amanhecemos mais fortes do que ontem. Vencemos no campo, na bola e nas ruas estamos no caminho do gol. A população deixou para trás a indiferença que marcou uma geração, e foi às ruas fazer a diferença. Mas também comemorou a vitória na bola sobre a Espanha, a vitória da nossa paixão, da nossa disciplina tática, da nossa alegria, do nosso poder de superação com a torcida ao lado, vibrante, emocionante, e com as ruas gritando, protestando por um Brasil melhor para todos.

“É preciso coragem! E coragem nada tem a ver com a ausência de medo. Coragem é levar o povo a se mover para além do medo...” (Nelson Mandela, prêmio Nobel da Paz)

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