Para construir uma história

Edição: 351 Publicado por: Hélio Suzano em 25/07/2013 as 10:43

 
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Para construir uma história rica é preciso coerência e muita sensibilidade para saber ouvir e entender o que nos é oferecido pela vida. O livre arbítrio vai traçando o destino com as nossas experiências, nos guinado por caminhos e opções, por encruzilhadas e decisões, apropriando-se das emoções com leveza e verdade

É fundamental estar conectado ao mundo real e abstrato, e não apenas aos estímulos que nos são apresentados comercialmente, para podermos saber aproveitar tudo o que a vida nos oferece de bom e de ruim, certos de que ela é como mar: feita de ondas. Em algum momento de nossa existência teremos que deixar a segurança das margens para nos aventurar às águas mais profundas e menos seguras, só para lembrar do que nos seduz, do que nos causa medo e o porquê disso. Teremos então, que voltar com a resposta que nos dará a coragem necessária para mudar o jogo, e seguir em frente. Só ai é que perceberemos o quanto fomos idiotas por toda a nossa vida; e quantos problemas deixamos de superar apenas pela nossa inércia; e como a maioria dos nossos medos são desculpas esfarrapadas para não sair do lugar.

Até o dia em que a busca por novos conceitos para a vida nos empurrará para longe das margens. O medo deixou de ser obstáculo e tornou-se um parceiro necessário. Transformou-se em prudência e desejo de fazer mais e melhor. Não que fizesse menos ou pior, mas era preciso mais. Sempre fui um jovem aplicado, religioso, extremamente responsável com as minhas coisas e com os outros. Nunca dei desgostos aos meus pais. Talvez tenha sido até chato em alguns momentos... Desde muito cedo eu já sabia ganhar meu dinheiro com trabalhos na faculdade. Apesar de nunca ter sido um aluno brilhante, destes que só tiram dez, eu era o tipo que mantinha a média, um pouco preguiçoso é verdade. Como dizem por ai, “eu me virava bem”. Mas também, como poderia ser diferente? Eu vivia protegido por uma família maravilhosa, pelo conforto, pelas margens seguras e tranquilas.

Na minha infância, grande parte dos “aborrecentes”, vivem assombrados por todo tipo de insegurança. E tudo é justificativa para essa fuga: mudança de cidade, mudança de escola, novos colegas, o professor rabugento, a garota que não te enxerga, desculpas não faltam. Eu na minha experiência, só fui entender que de fato eram desculpas bem mais tarde, quando já habitava os bancos acadêmicos do Direito. Pode-se dizer que foi uma libertação. Sempre tímido até então, passei a ser mais ousado, mais incisivo, mais contundente nas minhas abordagens. Sempre mantendo a essência do menino responsável e disciplinado, mas, agora, em busca do tempo perdido. Ainda da margem segura, mas agora com olhos e ouvidos atentos às experiências e emoções.

Quando percebi que era preciso mais, e que esse inconformismo poderia ser canalizado para construir coisas legais, eu mergulhei de cabeça. Veio o envolvimento na Fé, em pastorais católicas, com mais maturidade e profundidade, e veio a Política com “P” maiúsculo, com entrega, com gratuidade e paixão. Comecei a construir a minha história de vida dentro dos meus conceitos e expectativas. Deixei as margens e tomei partido.

A partir daí, potencializei minha história, sem permitir que o medo ou a insegurança me tolhessem. Fiz dele um parceiro e não um obstáculo. Mas mantive a consciência de que, em algum momento é preciso ignorá-lo e avançar às águas profundas, mesmo que ele diga que não.

Esta coluna foi escrita propositalmente na semana missionária da juventude no Rio. O Papa Francisco chega ao Brasil num momento em que a juventude deixa as margens seguras e se lança às águas profundas em busca de identidade, de respeito, de oportunidades, de seriedade. Que momento maravilhoso Jesus nos preparou. Sedentos que estamos para ouvir as palavras do Papa, conhecer seu testemunho, para dividir, somar e multiplicar o amor de Jesus por toda a humanidade. Que nossos jovens possam ser tocados por esta força revolucionaria chamada Jesus.

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