Preocupação com os rumos do Brasil

Edição: 358 Publicado por: Marcelo Ricardo em 12/09/2013 as 10:51

 
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Venho há tempos, mais de dois anos, comentando sobre o quadro nacional, enfatizando o esgarçamento dos padrões ético morais e as  suas consequentes repercussões políticas.

Tenho enfatizado que os parlamentares e os magistrados com as suas insensibilidades, seus privilégios, legais, não éticos acabam por

se tornarem os arautos, os grandes propagandistas das soluções

autoritárias. Escuto por todos os lados que no “tempo dos militares era

muito melhor”. “Que o melhor seria fechar o Congresso”. E por aí vai... Uma simples “passeada” na Internet, nos Facebooks da vida e encontraremos um sem número de intervenções com esse cunho. A lista é interminável. Ficaria horas reproduzindo. Não é o caso!

Adianto que sempre fui a favor de soluções democráticas; até porque, quando nada, se fizermos uma amostragem, os países democráticos, em sua esmagadora maioria, são os que têm os melhores índices e os que a população desfruta as mais dignas condições de vida.

Quero lembrar o que me disse o falecido governador Brizola, em 1977,

quando o conheci ainda exilado nos Estados Unidos, a respeito da História da Política no nosso país: “Marcelo, o nosso grande problema político é o “Golpismo”. Essa tem sido a visão de todos no Brasil; ninguém pensa em disputa sem estar de olho na “virada de mesa”. E prosseguiu, afirmando de forma muito franca, concreta e objetiva: “Em 64, se não fosse o Golpe deles, seria o nosso! Ninguém pensava em uma saída Democrática! Agora será preciso que, todos, busquemos a convergência que nos leve a um entendimento e à saída desse impasse.”

Prossigo eu; vejo a “Abertura”, com a Anistia, como uma virtuosa obra de engenharia política. Temos que destacar que os homens de Estado, estivessem no governo ou na oposição, souberam entender a gravidade do momento, a ânsia do país pela volta da democracia plena. Sem adjetivos, sem sofismas e sem encenações pseudodemocráticas. Foram os Tancredos, os Ulysses, os Teotônios Vilellas, os Brossard, mas também, há por um dever de justiça histórica, que citar-se os nomes de alguns generais e políticos situacionistas: Geisel, Golbery, Murici, Petrônio Portela, Juracy Magalhães. A lista seria enorme, de parte a parte e, com certeza, ao abrir as nomeações, estou cometendo injustiças.

Há que se consignar, nos momentos finais da chamada “Abertura, lenta, gradual e segura”, a sabedoria política de vários dos retornados como Brizola, Arraes e outros que buscaram sempre o ajuste daquela difícil construção, mas também o próprio presidente Figueiredo que “desarmou” as “bombas” radicais.

Os militares não aceitavam a anistia para “acusados de crimes de sangue”, mas acabaram tendo que ceder. Por outro lado, as lideranças oposicionistas tiveram que “engolir” o esquecimento de todas as violações, os crimes, que tivessem sido praticados por agentes do Estado.

Quero deixar claro: não aceito a tortura! Não aceito o terrorismo! No entanto, o preço do nosso reencontro, da nossa reunião foi esse. Cedermos, ajustarmos, transigirmos e “esquecermos”. 

Claro que muitos, com um travo muito forte na garganta, no peito. Se as famílias dos desaparecidos, dos torturados não se conformam, também não se conformam os familiares daqueles que foram vítimas de ações terroristas e assassinatos!

Todos cometeram as suas crueldades, medir quem foi mais cruel...

Agora vemos uma radicalização irracional por todos os lados. O Governo parece apostar no caos, no conflito. Vemos um interesse excessivo e “mudar o que foi tão cuidadosamente erguido”. A dita “Comissão da Verdade”, nitidamente busca a desforra, a revanche. É necessário que os participantes da luta armada tenham a honestidade pessoal e histórica que têm tido o jornalista Fernando Gabeira, o professor Daniel Aarão Reis, que afirmam claramente que não havia luta em prol da democracia e sim combatiam pela implantação da ditadura do proletariado. 

Havia o embate entre dois projetos autoritários. E nas ruas, radicais de todos os matizes se arvoram em salvadores da Pátria!

É hora da serenidade, da reflexão e do patriotismo. 

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