“É mais barato confiar!”

Edição: 361 Publicado por: Marcelo A. Reis em 03/10/2013 as 10:44

 
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Caro Leitor;

Para não cansá-lo vamos dar um “refresco” ao STF. Deixemos o “novato” com as suas caras, bocas e sobrancelhas delineadas e falemos de outra coisa. Mais uma das nossas “brasilidades”.

Não sei se tal palavra existe, mas arrisco, ouso o neologismo. Desde os tempos coloniais, os governos nos veem, a nós cidadãos, como incapazes, irresponsáveis que devem ser cuidados, monitorados, controlados e constantemente fiscalizados. Será mesmo supercuidado de um “pai” extremoso? Ou será que as velhas “elites” coloniais na ânsia de “derramas” coletoras de impostos estão sempre ansiosas por mais e mais... uma voracidade insaciável.

Assim também o foi nos EUA, mas, após a Independência, a cidadania firmou-se. O conceito de “contribuinte” é permanente no cotidiano daquele país. O lançamento de novos impostos e taxas, e até mesmo a majoração de algum já existente, gera comoção e mobilização da sociedade.

Fiz esta longa digressão para comparar com a nossa situação aqui em Pindorama. Temos uma absurda carga tributária e recebemos uma prestação de serviços governamentais, de uma maneira geral, da pior qualidade. Pagamos e, ademais, somos submetidos a filas e esperas

por horas e horas. Ultimamente vi na imprensa comentários e críticas sobre as vistorias veiculares a que somos obrigados a submeter os nossos carros. Pergunto, leitor amigo: Vistoria para quê? Para que serve a vistoria? Pergunto e respondo. Para nada! Para nada! Respondo duas vezes às duas 

questões. Com certeza algum burocrata empedernido virá rapidamente dizer que é pela nossa segurança! Mentira! Serve para arrecadar! Fazer caixa! E outras coisas... Tem sido assim ao longo dos anos.

Vamos por partes. Primeiro apresento, aos mais jovens, o Hélio Beltrão.

Homem culto, dinâmico, à frente do seu tempo, revolucionou a “máquina

administrativa” da Guanabara ao tempo do governador Carlos Lacerda. Uma autêntica revolução. Soltou-lhe as amarras. Posteriormente, convocou-o o presidente João Figueiredo para desentravar a administração federal. Conseguiu alguns sucessos, sobretudo por ter trazido à baila vários conceitos novos e simples.

“É mais barato confiar!” Era o seu mote contra a infinita quantidade de papéis, cópias, firmas reconhecidas com que penalizava-se o cidadão. Dizia Beltrão que deveríamos confiar, até por razões econômicas. Fazia contas simples e constatava que o custo de aparatos fiscalizatórios dispendiosos era maior do que o eventual benefício. Apenas relatando, sem autopromoção, aplicamos, minha equipe e eu, quando fui diretor geral, presidente, do Detran-RJ no primeiro Governo Brizola, tal conceito. Partimos da premissa de que o principal interessado pelo seu carro, onde viaja com a sua família é você e não um burocrata que lá fica a carimbar guias. Extinguimos, com a total aprovação do governador, a vistoria. Em seu lugar uma declaração do proprietário sobre as condições de segurança do veículo. Tal qual a do imposto de renda. Um sucesso! Isto em 1983! Hoje com a internet... Seria muito mais fácil, rápido e prático!

Fica a sugestão ao senhor governador Sergio Cabral.

Até a semana que vem.

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