Três anos do Chorinho de Conservatória

Edição: 362 Publicado por: Patrícia Rocha em 10/10/2013 as 16:04

 
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Minha coluna, esta semana, faz uma homenagem especial ao grupo do Chorinho na Praça de Conservatória que comemora três anos no próximo dia 12, sábado. Um movimento criado por um grupo de apaixonados pela música, sem fins lucrativos. Digo com competência, uma iniciativa nobre que engrandece o distrito de Conservatória e valoriza um dos ritmos com estética musical mais genuinamente brasileira.

Contando um pouco sobre o Choro... Surgiu em 1870, no Rio de Janeiro. Inicialmente não se caracterizou como estilo musical, mas pela forma abrasileirada com que músicos da época tocavam ritmos estrangeiros como polca, tango e valsa. São utilizados, entre outros instrumentos, violão, flauta, cavaquinho, bandolim e clarinete, que dão à música um aspecto sentimental, melancólico e “choroso”. O termo “Choro” passa, então, a denominar o estilo. Influenciado por ritmos africanos, como o batuque e o lundu, sua principal característica é a improvisação instrumental, especialmente com violão e cavaquinho.

A partir de 1880, com a proliferação dos conjuntos de pau e corda - formados por dois violões de cordas e de aço, flauta e cavaquinho -, o Choro populariza-se nos salões de dança e nas festas da periferia carioca. Um dos primeiros chorões - nome dado aos integrantes desses conjuntos - é o flautista Joaquim Antônio da Silva Calado. Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga criam as primeiras composições que firmaram o Choro como gênero musical com características próprias.

No início do século XX, o Choro deixa de ser apenas instrumental e passa a ser cantado. Aproxima-se do maxixe e do samba e adquire um ritmo mais rápido, agitado e alegre, além de maior capacidade de improvisação. Surge o chorinho ou samba-choro, definições devidas à delicadeza e sutileza de sua melodia.

A partir da década de 30, impulsionado pelo rádio e pelo investimento das gravadoras de disco, o choro torna-se sucesso nacional. Uma nova geração de chorões organiza-se em conjuntos chamados regionais e introduz a percussão nas composições. Nos anos seguintes surgem vários músicos, como Canhoto e seu regional, que tinha como integrante Altamiro Carrilho; conjunto Época de Ouro; Luperce Miranda; Zequinha de Abreu, autor de Tico-Tico no Fubá; Jacó do Bandolim; Nelson Cavaquinho, entre outros.

O principal nome do período era Pixinguinha, autor de mais de uma centena de choros e um dos maiores compositores da música popular brasileira. Em 1928 criou Carinhoso, que recebe letra de João de Barro, o Braguinha, em 1937. Também se destacava Valdir Azevedo, autor de Brasileirinho (1947), o maior sucesso da história do gênero, gravado por Carmen Miranda e, mais tarde, por músicos de todo o mundo.

O choro também está presente na música erudita. Um exemplo é a série Choros, do maestro Heitor Villa-Lobos. A partir da década de 50 perde sua popularidade devido ao surgimento da Bossa Nova. Mas o gênero mantém-se presente na produção de vários músicos da MPB, como Paulinho da Viola, Guinga e Arthur Moreira Lima. É redescoberto na década de 70, quando são criados os Clubes do Choro, que revelam novos conjuntos de todo o país, e os festivais nacionais. A partir de 1995 é fortalecido por grupos que se dedicam à sua modernização e divulgação, pelo lançamento de CDs.

No que depender do grupo Chorinho na Praça de Conservatória, o choro vai ter sempre seu destaque e respeito merecidos. Não dá mais para imaginar uma visita a Conservatória sem assistir nas manhãs de sábado, à roda de choro na Praça da Matriz. Assim como a seresta, o Chorinho já virou marca registrada do distrito. Os melhores músicos interpretando os melhores choros e samba de raiz.

O que me resta neste momento é pedir a Deus que abençoe vocês e que permita, assim, que possamos continuar “saboreando” suas melodias que nos enchem de esperança, paz e de felicidade! É assim que me sinto quando participo das duas horas de ousadia e alegria na roda do Chorinho na Praça! Parabéns a todos vocês!

O aniversário do Chorinho na Praça acontecerá sábado, dia 12 de outubro, a partir das 11 horas da manhã na Praça da Matriz de Conservatória. Com direito a bolo e muita música...

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