A Valença que faz Direito!

Edição: 363 Publicado por: Hélio Suzano em 17/10/2013 as 09:52

 
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Nesta última semana, nossa cidade foi destaque nacional graças ao empenho e a capacidade de alguns para fazer muito com pouco. Havia me esquecido de que éramos capazes, tamanha a infindável lista de decepções acumuladas. A nota quatro da Faculdade de Direito no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) - cuja nota máxima é 5 - foi uma conquista coletiva de professores, alunos e FAA com consequências relevantes de médio e longo prazo para toda a cidade. Um feito que vem consagrar a fase virtuosa de avanços iniciada ano passado com a Medicina e a Veterinária (ambas quatro no Enade). Um resultado significativo para uma faculdade particular do remoto interior fluminense, sem a visibilidade e os investimentos dos grandes centros. Para que se possa mensurar o tamanho desta conquista, basta citar que ficamos à frente das tradicionais gigantes do dinheiro público UERJ e UFRJ. Isto para falar das “melhores” do País. Como aluno e, hoje, ex-aluno experimentei toda sorte de crises na FAA e poder assistir a este momento, é motivo de orgulho.

O fato é que este resultado, tão significativo para a comunidade acadêmica da FAA e sua direção, também deveria ser interpretado como um sinal de avanço para a cidade, uma oportunidade de tirar proveito da posição de destaque alcançada pela FAA como centro de excelência na formação superior no Brasil. Mas me parece que esta mensagem ainda não foi absorvida por alguns tantos que insistem em não se sentirem representados nestas conquistas. Sinto certo despeito no discurso, uma resistência enrustida em aplaudir o sucesso. E por outro lado, quando a noticia é negativa, uma necessidade em ser o primeiro a verberar críticas. É preciso compreender que tão importante e significativo quanto criticar e denunciar, também, é saber aplaudir e celebrar o sucesso.

De tão desanimados que ficamos com as coisas de Valença, não percebemos o tanto que temos de bom, deixando de comemorar avanços e conquistas para nos lamuriar sobre o leite derramado das derrotas e fracassos. Assim tem sido: uma repetição sucessiva de descrença e desânimo. Perdemos oportunidades, deixando de celebrar o potencial estratégico de nossa diversidade cultural, o domínio sobre boa parte da produção leiteira do Estado, a excelência das fábricas e confecções que voltam aos poucos seus olhos para Valença, o privilégio de abrigar em nosso seio uma instituição de ensino superior de tão elevada qualidade. Num território tão extenso, com tantos atrativos e possibilidades, ainda continuamos a satanizar as iniciativas e a celebrar a mediocridade dos omissos e parasitas que contaminam nosso ânimo com seu discurso pessimista e atrasado.

É significativo que sucessivas gerações não tenham entendido a importância de dar ênfase às pequenas conquistas e avanços. Uma retórica que só faz nos apequenar diante dos desafios impostos pela política capenga e pela economia débil. Diminuir a desigualdade social, encontrar trabalho para todos, qualidade de vida, uma saúde preventiva eficaz, uma educação inclusiva e transformadora parece ser uma gestação que não tem fim. Mas, o começo pode estar entendendo a dinâmica dos fatos e a importância de nos comportarmos como cidadãos estando no mesmo barco.

Espero que não me levem a mal por minhas opiniões. A crítica é direcionada a esta predisposição inconsciente, que leva nossa sociedade a desdenhar as conquistas que não trazem uma digital pessoal, que não notabilizam um salvador da pátria, afastando os problemas da solução, na esteira do descrédito geral que atinge todos que se prestam a fazer alguma coisa, solapando a possibilidade de emergirem projetos que ofereçam alternativas a Valença.

A dificuldade em celebrar o sucesso está nesta predisposição inconsciente à qual fomos submetidos, obrigados a repetir as mesmas atitudes, certas ou erradas. Não será fácil mudar essas premissas, ou talvez seja mais simples do que imagino. Pensando como cidade, trocaremos nossa dependência por uma vigorosa e sólida autonomia.

2 comentários

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Lidiane em 07/11/2013 às 10:35 disse:

Acredito que o sucesso desta nota tem mais a ver com os alunos do que com a própria instituição, deixando de fora, é claro, alguns professores que fazem de sua profissão uma arte na FAA.
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DINEY DA CRUZ LOUREIRO em 19/10/2013 às 20:53 disse:

Excelente texto! Veio de encontro ao que sempre comentamos, como Ex-Alunos da Faculdade de Medicina de Valença e admiradores desta cidade: é preciso elevar a auto estima do seu povo. Todos os anos , promovemos o nosso Encontro dos Ex-Alunos (este ano realizou-se o XXXV nos dias 27 e 28/09) com a vinda à Valença de ilustres médicos palestrantes formados por esta Faculdade , renomados no nosso país e exterior. Pudemos perceber os progressos implementados pela FAA em relação à nossa faculdade e também o crescimento de Valença no tocante a sua vida cultural.Agora, com a boa notícia do resultado do ENADE , mais um motivo para o povo valenciano comemorar e se orgulhar desta cidade! Parabéns Faculdade de Direito de Valença!
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