Acho que descobri

Edição: 365 Publicado por: Elvio Divani - elvio_d@hotmail.com em 31/10/2013 as 09:20

 
Leitura sugerida

Assisto aos telejornais com notícias sobre as manifestações e chego às seguintes conclusões: Estudantes pedem mais segurança, mas querem a polícia fora do campus. Manifestantes querem mais educação e cultura, mas picham monumentos e prédios históricos. Alunos reclamam da falta de aulas, mas entram em greve. Querem melhoria do ensino, mas não respeitam os professores. Acertam em querer melhorar o nível dos alunos, mas apoiam o sistema de educação continuada. Reivindicam mais transportes, mas queimam ônibus e depredam estações. Pedem menos violência, mas depredam patrimônio público e privado. Reclamam da limpeza e do lixo, mas queimam as lixeiras. Bradam por liberdade, mas patrulham o trabalho de jornalistas. Querem exercer seus direitos, mas não respeitam os direitos dos outros.

Além disso, fora das manifestações: Presos recebem “salário presidiário”, mas famílias das vítimas passam necessidades. Políticos se corrompem, mas pregam a moralidade. Também bradam contra privatizações, mas fatiam nosso patrimônio com leilões suspeitos. Sem-teto ocupam moradias do programa “Minha Casa, Minha Vida”, mas beneficiários legítimos ficam ao léu. Prédios públicos são ocupados, mas a justiça nega a reintegração. Estradas estão em estado deplorável, mas índios cobram pedágio. Criticam a poluição ambiental, mas jogam lixo nas ruas e não racionalizam energia e combustíveis. Querem consumir cada vez mais energia, mas são contra a construção de usinas elétricas. São contra a discriminação, mas são preconceituosos. Preocupam-se com o comércio e consumo de carne de cães na Korea, enquanto milhões de crianças morrem de sub-nutrição. Entram em instituto de pesquisa, retiram cobaias e destroem anos de trabalhos dos pesquisadores, mas querem remédios e cosméticos mais eficientes e baratos. Querem dar o direito delas mães registrarem seus filhos indicando os pais, o que vai gerar uma enxurrada de processos de paternidade, traumatizando mais ainda as crianças. O governo alardeia a reforma agrária, mas não destina recursos para a sua viabilização. Querem comer e se vestir bem, mas criticam os Produtores Rurais.

Muitos acham que a vida no Campo é como a propaganda da Caixa, com a espetaculosa Paula Fernandes cantando e tocando com o Almir Sater, o tempo maravilhoso, sem nenhum ventinho, a topografia esplêndida, a plantação esplendorosa e sem pragas, tudo perfeito, mas a realidade é bem outra. Pensando nessas coisas todas começo a ficar deprimido, respiro fundo, balanço a cabeça, dou de ombros porque na realidade tudo isso é um verdadeiro “Samba do Crioulo Doido”.

Alguns dizem que “se cobrir vira circo e se cercar vira hospício”, mas pra mim tá tudo coberto e cercado ...

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...