Reação

Edição: 366 Publicado por: Gilberto Monteiro em 07/11/2013 as 09:44

 
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Meus pais começaram a vida em terras alugadas. Lá não existia luz elétrica, não tínhamos ônibus e muito menos carro! A professora da escola municipal só possuía a terceira série primária (boa professora a Cicida!)

Um gostoso isolamento com o qual convivi até os dez anos.

Bolivar e Jandira eram lutadores e otimistas. Produziam um pouco de leite e complementavam com o fabrico de fumo de rolo, depois com a produção de hortigranjeiros, e, finalmente com o café. Sempre uma boa horta, um pomar, porcos, galinhas e ovos.

Uma luta contínua, mas sempre o otimismo e a perseverança.

O tempo, que passa, inexoravelmente, me deixa agora envolvido de pessimismo. O homem de hoje, pelo menos o valenciano, é assim:

- Se existe fila ele reclama, e olha, fila que anda não é problema, mas sim organização;

- O jornal da cidade e o cinema também provocam comentários injustos;

- As ruas, estreitas, de uma cidade de quase duzentos anos, num país em que todos sonham ter carro, levam a um trânsito moroso. E tome de reclamação! De pauleira!

- Eventos de sucesso como a Fliva só acontecem “a ferro e fogo”. Organizada, graças à coragem do Leonardo Pançardes, deveria ter agradado a todos;

- A impaciência das donas de casa que, 24 horas por dia, dependuram nos muros, grades, árvores e portões, os terríveis saquinhos de lixo;

- A conversa sempre girando em cima do que é errado e ruim;

- Quase não se fala que as faculdades de Medicina, de Direito e de Veterinária estão com nota quatro quando o limite é cinco;

- O Hospital Escola sempre malhado. Como pode ser tão ruim se é ele que dá sustentação a uma escola que tem quatro, num total de cinco?

- As obras do Hospital José Fonseca, debaixo de perguntinhas: Será que termina? Será que vai servir aos valencianos?

O pessimismo de cerca de 80% dos valencianos talvez seja o principal fator do insucesso da cidade. E, o pior, ele predomina nas classes formadoras de opinião!

As rivalidades políticas e a eterna picuinha, aliadas à falta de visão de que não fazemos nada sozinhos, são a lenha que vai alimentando o insucesso.

É preciso uma reação!

Particularmente tenho agido assim. Estou, mesmo sabendo que tudo poderia estar melhor, reagindo às pessoas que de tudo desdenham e que, em tudo vão pondo defeitos. Principalmente reajo àqueles que sofrem da “Síndrome do Olho Grande” e só pensam no seu bolso, no seu bem-estar.

O bloco dos “farinha pouca meu pirão primeiro”, ainda não percebeu que, se o leite da porca, Valença, no caso, está secando, sem ele todos pereceremos: nossos negócios, nossas empresas, até mesmo nossos relacionamentos políticos com o Estado e a Federação. Tudo enfim vai fenecer!

Reação, a este pessimismo todo, é o que precisamos ter. Ela tem que ser explicitada corajosamente e a cada momento, na tentativa de fazer entender que o que temos pode, com o trabalho, otimismo e união nos levantar de novo.

Quando nos calamos estamos fazendo o mesmo papel dos mascarados de passeatas: o jogo da falta de cara limpa. Da falta de coragem. Da concordância com tudo.

Não faz muito tempo, defendi, aqui no Jornal Local, a presença daqueles elementos nas passeatas. Sem eles, eu dizia, elas parecerão grandes procissões. Já agora, depois de algum tempo e de tanta atuação misteriosa e danosa, gostaria que estivessem de cara limpa. Só assim saberíamos se são verdadeiros ou se são industriados pela polícia ou pelos governos Estadual e Federal.

Valenciano, reaja, defenda essa terra que é sua. Você que é sempre solidário e participativo, defenda a sua porca! Confronte, discuta, argumente sempre que for possível, pois “tudo vale a pena se a alma não é pequena” já dizia Fernando Pessoa.

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