Carros versus pedestres

Edição: 369 Publicado por: Hélio Suzano em 02/12/2013 as 17:03

 
Leitura sugerida

Entre os maiores desafios encontrados diariamente nas cidades, está a dificuldade de se encontrar uma vaga para estacionar. Até mesmo numa cidade pequena como Valença, este é um desafio! Encontrar aquela vaga, livre, desimpedida, bem localizada, é como ganhar na loteria. Com certeza você, que perambula todos os dias pelas acanhadas ruas da cidade em busca de um lugar para estacionar seu carro, deve concordar comigo. Como também, deve concordar que existem carros demais para ruas de menos em Valença. É de deixar qualquer um indignado os congestionamentos nas vias principais em qualquer dia da semana, a falta de planejamento, de sinalização, que impede um melhor fluxo do trânsito. Perde-se um tempo absurdo parado esperando o trânsito fluir, observando carros estacionados em lugares proibidos sem qualquer problema. Estou falando de Valença, onde deveríamos ter sossego, tranquilidade, enfim, qualidade de vida.

Mas não é só na hora de estacionar que impressiona a confusão no trânsito. A conduta dos motoristas que trafegam sem respeitar regras básicas de educação e de boa convivência no trânsito também choca. O pedestre, essa figura sofrida, fica relegado ao remoto lugar secundário dos sem importância. E assim vamos construindo a cultura do automóvel em primeiro lugar.

Sei que este é um assunto controverso: carros versus pedestres. Para muitos, nem é relevante este assunto, mas eu tomo para mim esta luta e apresento minha opinião como motorista e também, como pedestre. Precisamos abrir espaço para o pedestre já!

Já deve haver motoristas planejando meu expurgo desta sacrossanta coluna. Mas é o que penso, o que sinto e o que vejo. Precisamos dar a vez ao pedestre, permitindo que se possa andar pelas calçadas da cidade, pelas faixas de pedestres, pelo comércio com conforto, de forma tranquila e livre dos arroubos perigosos dos carros. Sem os sobressaltos de carros avançando a faixa, parando em fila dupla, estacionando em local proibido, desrespeitando o ir e vir do transeunte. Com calçadas ampliadas, sem buracos, sem obstáculos, com lixeiras, com civilidade. Há um projeto de uma amiga arquiteta apaixonada por Valença que prevê a ampliação das calçadas em trechos como a Rua Padre Luna até a esquina com a Mineiros e Nilo Peçanha, das lojas Cem até a subida da Mineiros. Isto mexeria com a estrutura dominante, mas daria enorme conforto aos pedestres.

Quanto à polemica dos semáforos, sempre fui da opinião que eles seriam a última etapa de ação num choque de gestão no aparelho urbano da cidade. Mas, já que estão aí, dependurados nas esquinas, sou favorável a sua utilização imediata concomitante com uma campanha de educação de motoristas e pedestres, fiscalização rigorosa, sinalização e mudanças estratégicas no fluxo do trânsito (troca da mão de algumas ruas, mão única em outras, proibição de estacionamento etc.). O governo municipal achou por bem desligá-los para não “tumultuarem mais o trânsito” e “prejudicarem os motoristas”. O fato é que eles estão aí à custa do nosso dinheiro e poderiam contribuir para a civilidade.

Defendo a prioridade aos transeuntes. Acredito que priorizando o transeunte, dando-lhe as ruas para andarem tranquilamente, estaremos agregando qualidade de vida à cidade, melhora no fluxo dos carros, mais visibilidade ao comércio. Um ciclo virtuoso: menos carros nas ruas, mais pedestres, mais vagas para estacionar, menos engarrafamentos, igual a menos estresse.

Quem sabe até, nesta lógica, as bicicletas e os micro-ônibus ganhem espaço pela cidade? Está aberta a discussão. O responsável pelo trânsito na cidade, Ângelo Tourinho, é um conhecedor do assunto e uma pessoa aberta ao dialogo. Momento melhor não teremos para arriscar com criatividade. Pequenas mudanças podem trazer grandes resultados.

2 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...
avatar

José C. Landeiro em 17/02/2014 às 13:09 disse:

Concordo plenamente com o Maury Vivas, essa cultura estúpida de possuir carros além de entupir nossas cidades destrói nosso planeta, que tal andarmos a pé ou de bicicleta além de ser extremamente saudável contribui exaustivamente para pelo menos aliviarmos nossa Terra dos monoxidos de carbono que destroem a camda de ozonio; àquela que nos protege dos raios Ultravioleta. Status para mim é isso,
responder O comentário não representa a opinião do jornal! A responsabilidade é do autor da mensagem!
avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...
avatar

Maury Vivas em 30/01/2014 às 14:57 disse:

Infelizmente a triste cultura de quem acha que ter carro é ter status. Predomina entre nós brasileiros. O saudável ato de caminhar está sendo deixado de lado. Ir as compras, padaria , ou até mesmo o simples passeio ao entardecer não existe mais. "Tenho carro, vou de carro não importa aonde" Este é o pensamento vigente. Infelizmente.
responder O comentário não representa a opinião do jornal! A responsabilidade é do autor da mensagem!
avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...