Um espectro ronda a classe média: o espectro do rolezinho!

Edição: 378 Publicado por: Samir Resende em 06/02/2014 as 08:35

 
Leitura sugerida

“Quanta gente

Quanta alegria

A minha felicidade

É um crediário nas Casas Bahia”

 

Nunca na história deste país a vontade de consumir foi tão voraz no nosso povo. Celular, tablet, TV de tela plana, MP3, camionete 4x4 (mesmo que eu só ande no asfalto e ela não caiba em minha garagem), camisa do jacaré a trezentos contos, cordão roliço que vale mais do que meu fusca, como diria meu amigo Raul etc! E é sobre esse escoro que está assentada a política econômica de desenvolvimento do governo do Partido dos Trabalhadores (PT), além das políticas de transferências de renda (bolsas e afins).

Em que pese o pouco (ou desqualificado) investimento em educação, ciência, tecnologia, ecologia, infraestrutura urbana etc, são nos serviços essenciais de saúde e transporte que as feridas da sociedade são mais expostas e causam as chamadas revoltas populares.

Passados seis meses da Levantada do Gigante (vupo!), a ressaca agora bate na cabeça ao som do funk (e sertanejo) ostentação! Sarra, sarra, roça, roça, não necessariamente nesta ordem! Mas e a política, essa linda, como anda? Bem... essa eu não sei, só sei que em Brasília só tem pilantra! (mesmo que isso não seja verdade, as pessoas estão adoentadas pela opinião das televisões e seus mágicos apresentadores; até a Arquidiocese do Rio de Janeiro - vejam só - entregou um prêmio cultural ao Mateus Solano, intérprete de um personagem de moral duvidosa (Félix) numa grande novela da TV... se a coisa tá assim para os moralistas, imagine pro satírico igual a mim?)

Apenas uma opinião, não quero convencer, nem “fazer a cabeça” de ninguém, cada um é cada um. Mas, eu acho que seria muito mais didático e produtivo se a gente, ao invés de generalizar todos como ruins, começasse a prestar mais atenção em como se comportam alguns (poucos) bons políticos que estão aí, que têm história e trabalho para mostrar ao povo. Prestar atenção também, e principalmente, naquele em que nós votamos (como ele se comporta nas votações mais importantes, a quem, de fato, ele ajuda e defende em seus discursos e ações). Havemos também de olhar criticamente as pessoas políticas que estão contra a população, mesmo travestidas de populistas, separando o joio do trigo, como nos ensinou a boa tradição religiosa.

Ao demonizarmos a política como um todo, estamos exorcizando a nós mesmos, pois ainda que as eleições democráticas sejam manchadas pelo poder econômico, é o nosso voto que coloca os políticos onde eles estão.

Este ano teremos uma enxurrada de votos brancos e nulos, fenômeno sociológico que só vem aumentando com o tempo. Sabe o que isso melhorou a política? Nada! Pois, quando a população se omite, os maiores favorecidos são justamente os mais poderosos e os que já estão no poder há muito tempo.

Espero que estes jovens que hoje se rebelam tortamente contra a exclusão do consumo ostentando o som do MC Daleste e Mister Catra, rebelem-se também contra a mesmice violenta do cotidiano oprimido em que vivem nos bairros periféricos do país! Além dos prazeres da vida e da carne que são maravilhosos, imaginem a capacidade de ampliação desse hedonismo todo, quando compartilhado com o coletivo. Essa é a graça do Rolezinho! Um convite ousado que clama por melhorias essenciais nos serviços, no lazer e na própria sociedade de consumo. Ouse ser diferente e saudações a quem tem coragem!

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