Estadualização do HG

Edição: 319 Publicado por: Samir Resende em 12/12/2012 as 14:44

 
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O governador do Estado assinou decreto com intenções de desapropriar a Santa Casa de Misericórdia de Valença, a pedido do deputado André Corrêa.

Transferir o Hospital Geral para o governo do estado parece ser a melhor solução. Mas só parece! A Saúde no Estado do Rio de Janeiro vive uma crise sem precedentes, assim como a Educação, a coleta de lixo, a água e o esgoto. Hospitais estaduais, como o IASERJ e o Carlos Chagas, são fechados arbitrariamente ou vivem à míngua. Percebe-se que o problema está na gestão estadual de Sérgio Cabral e Sérgio Cortês, o secretário carequinha que veio em Valença, prometendo mundos e fundos, dizendo que ia dar um jeito no Hospital Geral. Deu no que deu (fechamento). Quem deve estar feliz é a Delta e a Toesa, empresas com contratos suspeitíssimos com o governo fluminense.

O Sistema Único de Saúde (SUS), uma excelente iniciativa dos valores constituintes de 1988, teve a competência de descentralizar o sistema, dando autonomia aos entes federados e controle à população. Por isso, mais do que nunca, um município como Valença, com sucessivos aumentos de arrecadação, inserido de maneira honesta, transparente e com controle social no SUS, tem mais do que capacidade de gerir o seu hospital municipal (assim como deveria gerir o destino do lixo, do esgoto, da água, da licitação do transporte público e etc.). Ainda mais, contando com instituições auxiliares do setor, como o Hospital Escola/FAA e a Unimed.

A decisão de estadualizar o Hospital Geral, às vésperas de um outro governo municipal assumir e sem consultar o prefeito eleito, é, na minha ligeira impressão, mais uma manobra político-partidária em detrimento à gesta democrática. Se bem que, até agora, a estadualização do Hospital Geral ainda não saiu do papel, sendo, na verdade, mais uma inauguração de promessa do deputado. A cidade já está lotada de faixas agradecendo mais essa “benevolência”.

Nada impede que numa visão sistêmica de saúde, o Hospital Geral incorpore, no mesmo espaço, uma gestão compartilhada entre Município (atenção básica, primária) e Estado (centro de referência, atenção especializada). Essa de fato seria uma boa solução, calçado nos princípios constitucionais do país, mas a vaidade dos senhores envolvidos na questão infelizmente ainda impede essa quimera.

Consumo, logo existo.

Grandes filas e supermercados lotados, no final de ano, e o direito ao caixa preferencial, para gestantes e idosos, solenemente ignorado pelos grandes supermercados e pela população, em geral. É o preço do consumismo: todos na ânsia de servir ao Deus Consumo no final de ano.

Instituto Federal de Ensino

Valença é uma cidade excelente para se viver e tenho certeza que a sociedade merece estudar e aprender numa instituição pública de referência em nossa cidade. O Governo Federal, através dos Programas de Reestruturação das Universidades Federais (REUNI) e implementação dos Institutos Federais de Educação Tecnológica (IFET´s), dobrou o número de escolas técnicas no país. Acho que o candidato do PT ao governo do Estado, senador Lindembergh Faria, pode encampar esse sonho, dentro da visão estratégica de desenvolvimento nacional, através do Sistema Nacional de Ensino, conforme resoluções da I Conferência Nacional de Educação e do Plano Nacional de Educação (PDE).

Valença ainda vai salvar o Rio de Janeiro, com nossa cordialidade e acolhimento aos filhos(as) da burguesia fluminense e, graças às cotas, um pouco aos filhos(as) das classes desfavorecidas.

Junto com Dr. Álvaro prefeito, é hora de reconstruir a estratégia fundamental de passagem do Estado herdado (o que temos) para o Estado necessário (o que queremos/precisamos). Para tal, é necessário no plano tático e operacional, derrotar os partidos que têm uma visão mercadológica da Educação, como o PMDB/RJ e seus aliados.

Poderíamos federalizar o Centro de Ensino Superior da FAA, ou até compartilhar entre os entes federados, num regime de cooperação, como define os preceitos constitucionais e da LDB. A Lei dá brecha até para uma Universidade Pública Municipal, que formasse para o trabalho e estivesse inserida, por exemplo, dentro da Lei do Estatuto do Magistério Municipal.

O fato é que a promiscuidade público-privada, entre PMV e FAA, é tão descarada que se eu fosse prefeito, botava a nu essa relação incestuosa. Mas eu ainda não sou prefeito.

1 comentários

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Amigo de Valença em 13/12/2012 às 17:27 disse:

Está parecendo que este leitor foi um grande cabo eleitoral do Dr. Álvaro e é um grande seguidor do mesmo, e pelo jeito já começou a pedir votos para Lindembergh Faria. Respeito a sua preferência, mesmo não concordando, afinal um prefeito que se recusa sentar com políticos diretamente ligados ao governo estadual, como André Corrêa e Leonardo Picciane, que mesmo contra deveria reconhecer que sem o Governo do Estado , Valença não andará. Sendo assim , acredito que Dr. Álvaro já começou errado, com rancor e orgulho demais.Olhando pelo retrovisor. Iremos ficar novamente para tráz.Este é um ponto. Quanto acreditar em Lindembergh Faria, basta ir a Nova Iguaçú e constatar como o candidato deixou a cidade que ele governou por 6 anos. São várias denúncias de desvios de verbas e corrupção ( saúde , educação , superfaturamento, etc ), mas algumas pessoas ainda acreditam que palavras bem colocadas, frases de efeito, vigor físico, ou até mesmo boa aparência , traduzem boa governabilidade. Sendo assim , concluo que : Álvaro Cabral iniciou , melhor , irá iniciar de forma errada seu governo, e Lindembergh Faria é uma mentira que poderá enganar alguns. Cuidado Valença com o presente e com o futuro que poderá vir.Somente nós valencianos poderemos mudar e cobrar o errado. Peço-lhe respeitar minha opinião.
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