Energia Renovadora

Edição: 379 Publicado por: Ney Fernandes em 13/02/2014 as 07:53

 
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Há uma ampla energia renovadora por essas mobilizações de rua e que precisa ser incorporada, rapidamente, no movimento popular. Precisamos trabalhar um projeto que seja a realização de uma sociedade conscientemente orientada à promoção do bem-estar e da plena cidadania, de república e da justiça social. Esse, em nosso entendimento, é o objetivo fundamental que dá sentido à luta por uma causa estabelecida e isso significa atuar politicamente em defesa de um modo de organização da vida, radicalmente democrática, sustentável e pluralista.

Enquanto vemos no horizonte formas novas e necessárias de atuação, assistimos em Valença, à repetição da velha política demagógica, deformadora e corrupta [veja o caso atual da Chinesinho e o que foi a Cedae], mistificadora e sem transparência. Precisamos definir com muita clareza, quais e quem são os inimigos de nosso povo. São aqueles responsáveis pela reprodução patrimonialista, do autoritarismo, do elitismo e de todas as formas de opressão. Enfim, devemos combater tudo aquilo que se opõe à paz, ao bem-estar coletivo, à democracia. É claro, o porta-voz desses valores retrógados, são nossos adversários, ou melhor, adversários políticos do nosso povo. Mas devemos ter a clareza de que a luta deve materializar-se através das idéias, argumentos e de uma política, radicalmente democrática.

Um projeto de esquerda hoje, é acima de tudo, um projeto de afirmação dos valores democráticos, da liberdade de opinião e de crença. Sem isso podemos nos confundir, exatamente com aqueles que devemos combater. Numa rápida reflexão e, sem nenhuma pretensão, acredito que o ponto central consiste em compreender as motivações da explosão de indignação que tomou conta das ruas, levando milhares de pessoas a protestar e responder minimamente a essas demandas. Embora a agenda fosse difusa, percebe-se que o cidadão protestou em quatro de suas cinco dimensões, e não o fez contra este ou aquele governante em particular. A primeira dimensão foi a do eleitor, por não se sentir plenamente representado pelos partidos e pelas instituições governamentais. (Como regra, não de parte dos eleitos, respeito aos programas nem prestação de contas aos representados). A segunda foi a de contribuinte, por entender que os recursos que paga de impostos não são bem aplicados. A terceira foi a de usuário de serviço público, pela maioria, pela má qualidade desses serviços, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança e transporte, tendo sido este o motivo do chamamento as ruas. A quarta foi a do consumidor, pelo medo do retorno da inflação e também pela perda de renda decorrente do aumento de taxas de juros e das taxas bancárias. Nas manifestações não houve, por exemplo, questionamento explícito dos fundamentos da política econômica, nem proposta para destituição de governos, o que levaria a mudanças estruturais. Com a classe trabalhadora nos protestos, esses pontos certamente estariam entre os primeiros frente a esse quadro e, diante das até tímidas respostas às reclamações apontadas governantes e parlamentares precisam acelerar o passo, sob pena de 2014, além do retorno dos protestos, ser considerado o ano da maior taxa de abstenção e votos em branco e nulos da história do país.

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