Casarão

Edição: 379 Publicado por: Gustavo Abruzzini em 13/02/2014 as 08:06

 
Leitura sugerida

Disseram-me que em meio a empolgação das inaugurações, o deputado André Corrêa teria conseguido do governador sinal verde para investimento do Estado na revitalização do antigo Casarão das Artes, destruído por devastador incêndio, em 28 de novembro de 2001.

Justiça

Quem sabe um novo Casarão não poderia ser uma sensacional biblioteca, para nos redimir da extraordinária biblioteca de livros raros que ali perdemos na tão previsível tragédia, que até hoje ficou daquele jeito, mal explicada. Como também para nos redimir do que ficou reduzida nossa Biblioteca Municipal, última das prioridades de nossos gestores contemporâneos.

Vai ou não vai

Enquanto isso segue a passos de cágado a restauração do casarão 444, em ruína na avenida Nilo Peçanha. Seria por inapetência, desinteresse público ou muita pressão da especulação imobiliária. O Estado teria o recurso mas dependeria da regularização do imóvel pela Prefeitura que alega embarreiramento por conta do aparecimento de novo herdeiro à ruína. Ministério Público e Inepac bem que se esforçam, mas a vontade política...

Durmamos com esta

E por falar em nossos deslizes com a memória, a obra a toque de caixa do novo Hospital José Fonseca pode estar cometendo um crime cultural de certa gravidade. Segundo tive a oportunidade de registrar em meu primeiro trabalho de pesquisa sobre a vida e as realizações do industrial e filantropo José Fonseca, o projeto do hospital que ele mandou encomendar era da lavra de um famoso arquiteto da escola modernista.

Atropelo

Seria de Firmino Saldanha, arquiteto e artista plástico de certo renome, e a quem se credita a autoria do Hospital do Andaraí e, junto com Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, da Cidade Universitária (UFRJ). A fonte da informação, de que Firmino seria o autor do Hospital José Fonseca, fora do também arquiteto Luiz Proença Rosa que conhecera tanto o que projetou, quanto o outro, que mandara projetar.

Constatando

De fato, o prédio do Hospital Geral José Fonseca apresentava elementos do estilo dos arquitetos da escola iniciada por Le Corbisier a partir do Ministério da Educação e Cultura. Os pilotis, os brise soleil (quebra-sol) e os janelões com muito vidro. Talvez não soubéssemos, mas estávamos diante de um prédio que, provavelmente, merecia mais respeito e uma certa preservação.

Cucuias

A estrutura, tão elogiada pelos atuais reconstrutores, é claro, vai ficar, no entanto muito do belo estilo e referências modernistas de uma época de ouro, vão para as “cucuias”. Se já não foram pelas incultas marretas do progresso.

Apaga

Meu receio agora é que a marreta rápida tenha a intenção, também, de apagar da memória do valenciano a figura de José Fonseca, que tanto fez por Valença com dinheiro de sua fortuna pessoal, estirpando daquele nosocômio a onomástica e justa homenagem que, espero, seja eterna naquele prédio, apesar de, em breve, reformado e desprovido do apuro de sua fachada que remetia ao charme modernista dos anos 40. Mas, por outro lado, quem percebia? Ou quem liga para isso?

Praça

E o prefeito conta com o apoio do secretário estadual de Turismo para revitalização da praça Visconde do Rio Preto. Quem sabe não está na hora de eliminar aquele canteiro trambolho, em frente ao Cine Glória, e de abrir a cápsula do tempo enterrada no começo da década de quarenta sob um dos monumentos daquele logradouro? Eu sei onde está.

Pizza

E as CPIs da Câmara Municipal de Valença, já foram para o forno? O cheirinho de orégano está forte, ou é impressão minha?

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