Os Mascarados Black Blocks e o Manifesto das Ruas: Onde foi que erramos?

Edição: 380 Publicado por: Samir Resende em 20/02/2014 as 08:10

 
Leitura sugerida

Depois da levantada firme do Gigante no ano passado, infelizmente a saga da despolitização nacional continua em marcha firme. Aqui na nossa Aldeia Coroados só tem faltado o básico (água, remédio, soro, esparadrapo, merenda...) e o mato da creche do Dudu Lopes está com um metro de altura, pois toda a turma da capina está empenhada na realização do carnaval do Cacique Maluquinho na Rodoviária.

Mas não é isso que vamos falar neste espaço. Vamos falar da possessão demoníaca que tomou conta das manchetes de jornais e televisões do país. Depois da triste morte do trabalhador Santiago, que foi mandado pela Empresa Bandeirantes de Televisão para cobrir uma manifestação em zona de declarado conflito, sem qualquer Equipamento de Proteção Individual (EPI), a opinião pública e os meios de “informação” elegeram um novo satanás encarnado entre nós (além dos já tradicionais militantes sociais de esquerda): os vândalos mascarados Black Blocks (BBs). Não que estes não tenham se tornado uma praga - pelo contrário - a ideologia que eles dizem ser tática se subverteu quando a aludida proteção aos manifestantes mais espantou do que reuniu o jovial manifesto de junho de 2013. Ali, perdemos o bonde da história, quando a imprensa se preocupou mais em criticar a presidenta Dilma do que em debater a possibilidade de uma reforma política e até de uma Constituinte (com eleições) sobre o assunto. Mas a culpa não é só da imprensa: nós (sociedade), como bons papagaios da mídia que somos, onde o sonho de muitos ainda é dormir debaixo do edredom do Big Brother, caímos feito patinhos nesta estória, claro! (Claro não, pois está fora de área de cobertura).

Outro erro estratégico naquele momento foi termos recusado demais a política tradicional (“mantenha seu amigo perto, e seu inimigo mais perto ainda”) e até proibido pessoas de se expressar nos atos (partidos de esquerda); e ainda não termos focado mais em pautas garantidoras de direitos, preferindo o discurso mastigado de certas corporações, como a PEC 37 do Ministério Público, não ampliando as conquistas para o conjunto da Sociedade.

Está patente que a tática dos BBs está esgotada e estressada, e está pondo em risco uma transição de consenso ampliado. É uma pena, para quem acredita numa revolução pacífica. Mas o que atormenta mesmo é o fantasma da despolitização da sociedade. Tudo vira briga de torcida, um “fla x flu” ideológico; a maioria não é capaz de enxergar por cima das aparências. Ninguém quer saber das causas que levaram à violência, só se preocupando com as consequências. Essa é a política do terror implementada pela mídia, com o apoio de lideres conservadores, e representada na liberdade de opressão de Datenas, Sheherazades e Vejas da vida.

Não vejo sinceramente muitas perspectivas de melhoras. A primeira, a curtíssimo prazo, seria uma reforma contra o monopólio dos grandes meios de comunicação (Ley dos Médios - Argentina) que saísse da sociedade e não só do Congresso. A segunda, talvez em longo prazo, uma depuração eleitoral fruto do nosso amadurecimento político. Mas esta hoje, além de ser um caminho longo, se torna cada dia mais difícil pelo nível de alienação social que vivemos. Finalmente nos sobra uma única munição: a mudança política radical. Aliás, essa deveria ser a pauta das ruas e das urnas. Saudações a quem tem coragem!

 

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...