A RIV deu PT

Edição: 380 Publicado por: Hélio Suzano em 20/02/2014 as 09:03

 
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Certa vez, em uma conversa com amigos no Rio, alguém comentou que tudo em Valença é complicado, e que as coisas por aqui merecem um tratamento diferenciado, pois nada é o que parece ser. “Uma frase mal utilizada ou uma referência infeliz transforma-se numa grande confusão”, concluiu o interlocutor exagerando no tom. E foi nesse tom exagerado de brincadeira que continuamos a falar sobre as nossas “sensações e impressões sobre a RIV- República Independente de Valença...”

Simples blá, blá, blá, pois no momento em que a paixão se coloca, estas percepções sobre a cidade desaparecem, tamanha a paixão que a cidade e seus contrastes despertam em todos. Continuamos enxergando-a com toda sua diversidade, vendo-a perdida na contramão e ainda assim, perdidamente apaixonados por ela.

Aqui a paranoia come solta, contaminando tudo e todos, comandando as decisões e as tomadas de posição. A tal ponto e com tal força que boatos e mentiras ganham força de verdades, ao sabor dos interesses alheios e inconfessáveis.

Tudo isto vai criando uma atmosfera de elucubrações, fantasias, equações insolúveis, ocupando o silêncio, provocando todo tipo de manifestações físicas, sensoriais e fisiológicas. A realidade vai ficando às margens da discussão. E a irrelevância contamina feito um germe, entrando nos sentidos. E passa a compartilhar estas sensações com todos a sua volta, de uma forma que aparentemente torna a RIV terra de loucos e dementes.

Por aqui, o senso comum é sempre do contra. Sempre enxergando alguma coisa por detrás. Numa postura pouco clara e nada objetiva perdida em conflitos pessoais. Com isto vamos desperdiçando oportunidades, jogando fora conquistas por mero recalque ou inveja. Esse é o momento que vivemos. Grandes obras em andamento na cidade e distritos, conquistas inegáveis do momento admirável do nosso deputado local. Simpatizantes ou não do político, estas obras são públicas, custeadas pelo dinheiro público e para o bem público. Mas inegável sua paternidade e uma burrice se negar esta referência. Mas na RIV não é assim. Ecoam nas sombras berros de ensandecidos contra as obras - “obras eleitoreiras”, alardeiam. Isto num País onde há eleições de dois em dois anos. Quando não fazem nada os políticos são incompetentes. Mas quando fazem, ainda assim estão errados? Na RIV sim. E o mesmo pode ser dito em relação ao prefeito. Os que o elegeram agora criticam medidas que, como oposição, considero corretas como a carga e descarga de caminhões e as mudanças no transito. O que raios querem os loucos?

E essa energia negativa ganha ruas, capturando o que há de melhor, nossa essência primeira, a que não foi corrompida. E essa loucura toda que desdenha de conquistas, menospreza atitudes e enxovalha a honra de gente de bem é a essência da RIV, sua causa e consequência. E acaba por produzir políticos que buscam obter dividendos nesta atmosfera de caos. Mas isto num primeiro momento, porque, na sequência, todos perdem: sem credibilidade, sem sossego e energia. Talvez o que falta por aqui seja encontrar uma forma de harmonizar os interesses e os desejos dessa ansiedade descontrolada em controlar. O que vemos é uma generalizada descrença no futuro. Uma torcida ensandecida pelo fracasso, pela derrota, pelo touro.

Não sou tolo para achar que todos deveriam estar juntos e unidos. São legítimos os projetos pessoais, as ambições comedidas, as estratégias partidárias. Mas não dá para entender e aceitar que estes projetos e ambições, estas estratégias e intenções estejam em oposição aos interesses maiores e mais legítimos da população.

A continuarmos como estamos com a cidade de um lado e os políticos e instituições do outro, distanciados e divorciados, alheios aos interesses comuns, Valença continuará a ser a RIV. E muito em breve, sinto dizer, a RIV dará PT: perda total.

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