“O desafio da mulher sexy”

Edição: 383 Publicado por: Hélio Suzano em 13/03/2014 as 10:34

 
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No ultimo dia 08 comemoramos o dia internacional das mulheres e assistimos em todas as mídias todo tipo de mensagens, reportagens exaltando o poder feminino e suas características emocionais e psicológicas. Valores femininos como a cooperação, sensibilidade e compromisso foram destacados como virtudes exclusivas e capazes de alçarem o poder feminino a um patamar acima, deixando apagada a masculinidade, como se eles de fato tivessem perdido sua posição dentro da família.

Neste mesmo dia, correndo o cursor do controle remoto da Sky, me deparei com um filme já pelo meio, que tratava de aspectos emocionais de uma mulher de trinta e poucos anos, mãe de dois filhos de pais diferentes, vivendo numa cidadezinha do interior de Michigan, nos Estados Unidos. O filme me pareceu confuso _talvez por tê-lo pego no meio, mas Delphine, nome da loira, era comum, tamanho mediano, bem sortida de carnes, e carregava um olhar perdido, distante, indefinido capaz de seduzir sem qualquer pretensão. Na verdade, às vezes não entendia o que se passava na tela. Uma narrativa que não respeitava a ordem dos fatos. Enfim, a moça vivia seu cotidiano, bem-sucedida no trabalho, cuidando dos filhos, em conflito com os pais deles, em busca de um príncipe encantado. O problema é que, nessa busca, se perdia numa avaliação equivocada, na frivolidade de relações rápidas e descartáveis, ficando aqui e acolá sem qualquer pudor, transitando entre mais jovens e festas, sempre em busca de uma juventude que já se via a distância pela janela de seus olhos. Sem perceber, distanciava-se cada vez mais da felicidade, oscilando entre altos e baixos, sorvendo vez por outra decepções, frustrações, e uma solidão inconfessável. O drama se desenrola de forma fascinante, embora, durante quase o tempo todo, eu não sabia bem o que estava acontecendo na tela.

Houve um tempo em que sair toda noite, ganhar fama de “pegador”, falar de carros, de sexo, de esporte era coisa privativa dos homens. Hoje as mulheres se projetam nessa seara, passando de coadjuvantes a protagonistas. Nem falo da questão profissional ou política. As mulheres estão ai, ocupando espaços e mostrando seu valor. Estou falando da questão psicológica e emocional. Grandes questões que afligem os casamentos hoje ocorrem por que homens e mulheres não sabem mais seu papel na relação. Os ambientes familiares estão diferentes. As mulheres exigem dos homens o que eles não são. E quando eles cedem, tornam-se o que não são e elas não os querem mais.

Entendo que a felicidade das mulheres e dos homens não esta na competição de gênero. É como se os homens ou mesmo as mulheres tivessem sozinhos a resposta para tudo. Não é assim. A transformação da tradicional família brasileira, com seus múltiplos aspectos, resulta em muita ansiedade. Serem bem-sucedidos causa estresse demais. A vida não pode ser medida tão-somente pelas conquistas profissionais. As mulheres não serão mais felizes com homens atormentados ao seu lado. E nem o contrario, com mulheres indefinidas emocionalmente.

Ai vem à questão do filme: ser competitiva e ambiciosa no trabalho, forte e dominadora nas tratativas, eficiente na criação da prole e ainda ser sexualmente desejada e emocionalmente carinhosa. Sai à noite com roupas sexy, cuida do corpo, fuma, bebe, mente, trai, comunica sua sexualidade de forma incrível, fantástica. Ela é a protagonista da relação, decidindo com quem ficar e quando não ficar. Enquanto os homens, sufocados, tornam-se platéia, isolados e prontos a pularem fora.

Feminismo, machismo, aqui entre nós, é um saco. Radicalismo burro, útero de monstros. Um armistício, por favor. A vida não é uma prova de cem metros. O objetivo não é saber quem vai vencer ou ser mais rico, ou mais “pegador”. A questão é desfrutar a delicia do seu gênero de forma desestressada. Ser gay, ser mulher, ser submissa, ser machão, bingo! Viva sua vida respeitando a diversidade, procurando ser feliz consigo mesmo, com seus limites, não brigando com o relógio ou espelho. Trabalhe no que lhe apeteça, dizendo não quando for preciso, se valorizando, edificando e respeitando.

Sendo assim, desta forma, você mesma, vai se encontrar. No filme a loira termina frustrada, sozinha e infeliz, colhendo as conseqüências de suas escolhas equivocadas. Somos homens e mulheres, protagonistas de nossas escolhas e de suas consequências.

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