Chinezinho: uma chantagem que não tem fim

Edição: 389 Publicado por: Samir Resende em 24/04/2014 as 07:52

 
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Então quer dizer que depois daquele alvoroço todo, agora que foi aprovada pela Câmara de Vereadores a autorização para licitação da antiga fábrica Ferreira Guimarães, no João Dias, a empresa “Chinezinho” simplesmente “desistiu” de Valença, conforme está escrito num papelucho que roda a cidade?

Será que a empresa desistiu da licitação porque o amigo Beto Rabello nos revelou na internet uma coisa muito grave: uma empresa do holding estaria envolvida em problemas com a Justiça do Trabalho e a Receita Federal?

Será que a empresa desistiu porque algumas pessoas vieram denunciar, também na internet, que as condições de trabalho e benefícios dados aos trabalhadores de Valença não eram as mesmas de outras unidades da empresa?

Será que a empresa desistiu porque se tentou discutir esta política de renúncia fiscal indiscriminada, que parece servir de fundo para uma ação eleitoreira, e até criminosa (fábrica de nota fiscal), como divulgou o jornal O Globo em 2011? Por que Barra do Piraí, que tem uma rodovia federal cortando a cidade (BR-393) e um parque industrial consolidado, também precisa ser beneficiária desta lei, que serviria justamente para ajudar municípios pouco favorecidos?

Enfim, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que desconfia a vã e desinformada filosofia do Facebook. Mas algumas boas lições a gente tira do episódio:

1) Existem pessoas - e até políticos - que não fazem parte deste acordão que sustenta o governo mais odiado da história do estado do Rio de Janeiro. O mesmo governo que administra a (falta de) água da Cedae, que mata e arrasta corpos pelas favelas, que trata o professor e o bombeiro na base do tiro, porrada e bomba, que comanda obras milionárias às vésperas de eleição...

2) Valença não é a casa da mãe joana e muito menos o paraíso do emprego precário e indicado por político. Exigimos políticas públicas que tragam o progresso sustentável, que tragam escolas, hospitais, universidades e fábricas, desde que sejam limpas e honestas com o trabalhador.

Ninguém é contra a Chinezinho e sua promessa de seiscentos empregos. Aliás, Valença tem muito pequeno e médio empresário que geram tantos ou mais empregos há anos, e que não recebem um beneficio sequer de governos. Na verdade, o que as pessoas não enxergam é que o centro do debate deveria ser a concessão de um patrimônio público, e não apenas um acordo entre políticos e empresários, feito em governos passados. Acredito que esse é o momento para se debater e firmar um marco regulatório sobre as doações e cessões das benfeitorias públicas, de acordo com o Plano Diretor do Município, bem como garantir que as promessas dos empresários sejam cumpridas em contrato.

Reitero que a Chinezinho é muito bem-vinda em Valença, assim como qualquer outra empresa que queira disputar a licitação da área, consoante com os princípios fundamentais da legalidade, impessoalidade e publicidade. Se por acaso a Chinezinho vencer a licitação, ela deve oferecer os mesmos benefícios que oferece aos seus funcionários em outras cidades, como plano de saúde e salário decente.

A minha última sugestão é: se realmente a Chinezinho “desistiu” de Valença, o valenciano também deveria desistir da Chinezinho e não consumir mais produtos desta marca. Viva a Yoki! (Quem sabe este empresário não gostaria de ampliar seus negócios aqui para Valença, uma cidade que está no centro da região sudeste? A Secretaria Municipal de Desenvolvimento e a Associação Comercial deveriam procurar aquele empresário e falar que o seu maior concorrente desistiu daqui. Acho que a empresa Yoki vai ficar, no mínimo, interessada com a possível ação de marketing embutida nesta proposta).

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