A Violência Nossa de Cada Dia.

Edição: 392 Publicado por: Samir Resende em 15/05/2014 as 05:28

 
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Quando nos referimos à violência, é comum a associação imediata com a violência material, por meio da qual as pessoas ou a natureza são agredidas fisicamente. Haveria violência, então, no ato de espancar, prender alguém numa prisão ou coagir, sob ameaça de morte. Formas explícitas de violência, nelas se percebe claramente a força exercida, ou seja, a violência surge mediante evidente coerção ou imposição de força física.

Há, no entanto, a chamada violência simbólica, que é exercida pelo poder de imposição das ideias transmitidas por meio de comunicação cultural, da doutrinação política e religiosa, das práticas esportivas, da educação escolar.

Enquanto no caso da persuasão convencemos alguém por meio de argumentos, deixando em aberto a possibilidade de discordância e, portanto do pensamento divergente, por meio da violência simbólica as pessoas são levadas a agir e a pensar de uma determinada maneira imposta, sem se darem conta de que agem e pensam sob coação. Nesse sentido, a cultura e os sistemas simbólicos em geral podem se tornar instrumentos de poder quando legitimam a ordem vigente e tornam hegemônico o comportamento social.

Vivemos cerceados pela violência simbólica, principalmente na política, quando seus agentes usam das ideias incontestáveis de “pacificação”, “progresso” e “emprego” para nos infringir políticas que, analisadas à luz da racionalidade, passam longe de ser democráticas e socialmente referenciadas.

Escolas sem professores, funcionários, merenda e caindo aos pedaços, alunos sem motivação, profissionais com seus salários defasados em período de boom inflacionário, arrogância, truculência e autoritarismo. Mentiras, falsas promessas e desacato às leis pelas próprias autoridades. Infelizmente, como se não bastasse a violência simbólica, vivemos a violência real. Triste Valença.

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Em conversa sensata e reflexiva com os moradores do Bairro Cruzeiro, e tendo em vista que os poderes públicos não nos oferecem a mínima condição de proteção, segurança e garantia para realização de um evento pacífico, eu, Samir Resende, criador do evento “Rolezinho no Cruzeiro”, estou alterando o horário e o dia da atividade para as 8 horas da manhã de sábado (17/5). Uma conversa com todos que se propuserem a debater os rumos da cidade.

Infelizmente, os moradores não podem ser responsabilizados e sofrer as consequências pelos anos de desmandos.

De fato, o “Rolezinho” de verdade que esta cidade precisa é na porta da Prefeitura, na Câmara dos Vereadores e no Fórum de Justiça.

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