Endividados, inadimplentes e o humor dos consumidores

Edição: 398 Publicado por: Sonia Vilela em 30/06/2014 as 10:47

 
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Mais uma vez, o tema endividados e inadimplentes toma conta do noticiário nacional. Os últimos dados das pesquisas sobre o tema levam a acender a luz de alerta. Inadimplência e endividamento comprometem o consumo presente e do futuro. No efeito cascata, significa que haverá impacto na Produção- no PIB propriamente dito, e no crescimento da economia por conta da importância do consumo doméstico na geração de riqueza.

O Banco Central divulgou o índice de inadimplentes em 4,8% nos meses de abril e maio. Ele mede a média nacional das diversas modalidades de crédito. Já as Instituições que medem esses índices no comércio como SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o índice de inadimplência apresentou aceleração recorde e cresceu 9,56%, em relação a maio do ano passado. A partir deste dado, o SPC Brasil estima que um total de 55,04 milhões de CPFs de adultos vivos estavam registrados em serviços de proteção ao crédito no país até o fim de maio. Em abril a estimativa era de 53,8 milhões de inadimplentes. Um aumento de mais de 1 milhão de novos inadimplentes comparados com o mês de abril. Cerca de 60% dos atrasos referem-se às dívidas com os bancos e telefonia e internet.

Já o percentual de famílias endividadas aumentou para 62,7% em maio, contra 62,3% no mês de abril, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor elaborado pela (CNC) a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Mas em maio do ano passado foi de 64,3%. Porém, a tendência a ficar inadimplentes por não ter condições de pagar suas dívidas, diminuiu um pouco. Cerca de 6,8% se declararam sem condições de honrar o pagamento das dívidas em maio deste ano e 7,5% em maio do ano passado. Esse resultado reflete a redução do crescimento do consumo.

Mas o que mais preocupa é o pessimismo que assola os brasileiros atualmente. Tanto consumidores quanto os empresários. A consequência é que a demanda diminui e a oferta também e isso não ajuda na redução da inflação. A pesquisa Datafolha deste mês aponta pessimismo recorde com o futuro da economia: 36% dos brasileiros acham que a situação vai piorar nos próximos meses. O índice de pessoas que acreditam em aumento do desemprego nos próximos meses também, subiu para 48%, recorde, mas ainda inferior aos 59% registrados em março de 2009, no auge da crise mundial. Já 64% da população acha que a inflação vai subir. Outra pesquisa efetuada sobre as incertezas sobre o futuro da economia e o descontentamento com a situação atual têm levado os indicadores que medem a confiança do brasileiro, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a níveis abaixo das médias históricas e próximos aos da crise financeira de 2008. A preocupação com a inflação, a indefinição das eleições de outubro e até os protestos contra a Copa têm abalado a confiança dos agentes, atingindo tanto o humor dos consumidores quanto dos empresários. De qualquer forma a palavra de ordem é Cautela, o que não faz mal a ninguém!

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