O caminhão da mudança chegou!

Edição: 406 Publicado por: Helio Suzano em 21/08/2014 as 07:24

 
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É a palavra do momento, em plena temporada de caça aos votos: mudança! Cantada, decantada, surrada, desrespeitada, enxovalhada, mas ainda, presente nos discursos daqueles que pleiteiam servir a população num cargo eletivo. Mudança de perspectiva, de foco, de atitudes, de posturas, enfim, mudanças que signifiquem para o eleitor que alguma coisa será diferente após a eleição. Nem sempre é assim e muitas vezes muda-se até para pior, infelizmente. Mas a busca por alguma coisa diferente é o que dá cor à vida.

Em nome dela - da mudança, são feitas as coisas mais loucas, os acordos mais descabidos, as traquinagens mais dantescas, e muitas vezes para nada, porque a mudança que o povo quer não tem a mesma tradução da mudança que alguns políticos oferecem na época de eleição. A população almeja por transparência, por diálogo, por gestões impregnadas de participação popular nas decisões, de honestidade, ética, simplicidade. O que a população não suporta mais é ouvir discursos vazios da boca de aventureiros que usam a bandeira da mudança para encobrir velhas práticas políticas como se ela sozinha significasse algo diferente.

Maquiam suas caras, fazem bocas, lambuzam seus assessores com o néctar da prosperidade e vendem a esperança da mudança para o eleitor. Hipócritas, satíricos que não se compadecem da desgraça alheia e jogam contra o patrimônio, torcendo pelo pior da cidade e de sua população com o único objetivo de angariar votos, força e poder. Enquanto isso, a procissão segue com suas caricaturas desbotadas pelo tempo, pelo castigo, pelo chicote que tantas vezes cantou nas costas largas desta gente sofredora. Nas ruas, esquinas, becos e vielas, seguem a mesma toada do esquecimento, da brutalidade que acaba com a sensibilidade, projetando um futuro sem futuro, um arremedo de população omissa, desesperançada, desgostosa, à base do calmante e da cachaça que inebria e dá alento.

Muitas das pessoas que compõem o que chamamos de “população” passam suas vidas em busca de uma satisfação pessoal, de uma mudança de rumo que possa enriquecer suas vidas, transformar a realidade ao seu redor. Mas seguem sem qualquer estratégia, contando apenas com a velha e boa sorte. Sem perspectivas, seguem na torcida para que, quem sabe, vejam seus objetivos premiados. E enquanto isto não acontece, vão esbanjando energia à toa, amargas, remoendo suas decepções.

Poderiam querer mais, poder mais. Deveriam deixar a letargia depressiva dos calmantes, a opressão do dia a dia e buscar mais e melhor: ganhar mais dinheiro, conquistar mais amigos, passear mais, se divertir mais e melhor, ter sonhos de consumo etc. O dilema de uma vida balizada não leva a lugar algum. Não que você tenha que viver uma vida chata, regrada por objetivos rígidos, inatingíveis e frustrantes. Nada disso. Para uma vida produtiva em todos é preciso olhar adiante, ter uma postura crítica e questionadora. Ou então você continuará feito gado sendo tocado numa comitiva sem muita esperança, assistindo a seus sonhos serem espedaçados pela brutalidade da realidade.

Hoje, se me perguntarem qual a vocação de Valença, ouso dizer que talvez nossa vocação seja para segurar placas e balançar bandeiras. Uma cidade empobrecida de dinheiro, mas, principalmente, de sonhos. Os debates e discussões se esvaziaram, perdendo-se nos ataques pessoais, no personalismo dos atores e na pouca objetividade. Ainda norteamos nossas discussões políticas por cima de rusgas familiares do passado.

Quando você ouvir falar em mudanças, desconfie. A verdade é que relutamos em aceitar que as coisas podem ser simples e diretas e que a verdadeira mudança está por acontecer, e é dentro de nós.

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