Terceirização

Edição: 440 Publicado por: Samir Resende em 22/04/2015 as 09:05

 
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O Projeto de Lei da Terceirização (PL 4330), aprovado pelos deputados, caiu como maná do céu para o governo do PT. Dilma está com a foice e o martelo na mão (veto) para recuperar um pouco o apoio do movimento sindical, e jogar o desgaste da opinião pública sobre o Congresso. Mas não sei se o PT pensa igual a mim e nem o que passa dentro da cabeça da idiossincrática presidenta.

O Brasil sempre foi uma pátria onde você pode ser reacionário – e até depravado - dentro de casa (no privado). Mas no público (rua), esses excessos são regulados por uma espécie de ética social, mesmo que o principal aparelho ideológico da sociedade (a mídia) se comporte como um partido histérico, que não esconde mais a marmelada. Você acredita que a Globo mudou novamente os horários do campeonato paulista, no dia 12/4, só para não coincidirem com os protestos-coxinhas?

A mídia, chefiada pela Globo, é tão nociva que atinge de morte o principal signo da nossa brasilidade: o futebol. 7 a 1 foi pouco! Muitos mais virão!

Por outro lado, no campo político e econômico, este Governo do PT já capitulou, antes mesmo de começar. Assumimos nossa vocação de dependentes da ordem internacional. Dilma aplica o programa do FHC, fazendo a cama pra manutenção do poder central com Lula em 2018. A palavra de ordem, que não precisa ser profeta pra saber (e que os alunos devem pesquisar na aula de hoje) é: desemprego estrutural.

Por mais que a Globo vá tentar disfarçar o fracasso, este segundo protesto que aconteceu no dia 12 está dando força para a presidenta, pois, como já dissemos, o Congresso é tão reacionário, e o Dudu Cunha é tão guloso, que a opinião pública começou a detectar a manipulação descarada.

Mas, como o Governo Dilma tem se mostrado péssimo de qualquer forma, não vai saber surfar neste refluxo da onda conservadora. Austeridade só pros gastos públicos, pois o lucro privado das megacorporações, principalmente financeiras (bancos), continua de vento em popa.

Em Valença, a história não é menos traumática. As notícias da semana vão de lixo hospitalar infectando lençóis freáticos para pior. Hoje, a cidade é uma fotografia rasgada e desbotada do que foi de um passado também falsificado. Nunca tivemos igualdade social, pois somos uma cidade histórica do Império, onde o lucro ficava com uma corte restrita. O único surto de industrialização que tivemos, naufragou com o esgotamento da política econômica de substituição de importações que o neoliberalismo nascente trouxe ainda no fim da década de 80 e início dos 90.

Tanto em 1990, quanto agora, o discurso é um só: a culpa é do trabalhador. Naquela época culparam os sindicatos que não tiveram pena do pobre patrão. Agora, culpam o trabalhador de carteira assinada e nos empurram goela abaixo a nefasta terceirização sem precedentes. Eduardo Cunha, que saiu de Valença com quase dois mil votos, apoiado por prefeito, vereador e patrões, comanda o achaque. E tem gente que ainda acha isto bonito!

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