Raposa tomando conta do galinheiro

Edição: 441 Publicado por: Samir Resende em 30/04/2015 as 08:33

 
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Notícia de que deputado estadual Domingos Brazão (PMDB) será eleito por seus pares conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RJ) exalou em minhas narinas um cheiro esquisito em pleno feriado de São Jorge. E não era bosta de cavalo.

Desde que Brazão trocou o ferro-velho às margens da Via Dutra e o posto de gasolina em Jacarepaguá pela política, sua família viu prosperar os votos e o patrimônio pessoal. Uma arrancada cercada por denúncias de ligações com quadrilhas de adulteração de combustível e sonegação fiscal e de formação de curral eleitoral em áreas dominadas por milícias.

Aliás, o TCE/RJ é uma mãe! O novo conselheiro terá a sua disposição uma equipe maior e que custará mais aos cofres públicos do que todos os cargos em comissões existentes no Tribunal de Contas da União (TCU). Além do salário de R$ 30 mil até completar 70 anos, o eleito vai indicar vinte nomes para cargos comissionados. Os salários variam de R$ 6 mil a R$ 26 mil. E não para por aí. O futuro conselheiro terá a sua disposição outros 35 funcionários, que podem ser cedidos de outros órgãos.

Ao todo, 55 profissionais poderão ser indicados sem concurso público para trabalhar com o novo conselheiro. Esse número é superior aos 22 comissionados em todo o TCU — corte máxima de contas do país, integrada por 13 ministros (nove titulares e quatro substitutos). Todos os sete conselheiros do TCE têm direito a nomear até 55 funcionários.

O TCE é governo Estadual, o TCU é governo Federal. E o brasileiro, ingênuo e desinformado, achando que o problema do país é a Dilma. “Sabemus de nada inocentus est”, já dizia o imperador romano Cumpadrius Washingtonis.

 

Valença “sertaneja”

Uma das coisas que mais me preocupa em Valença, e que o jornalista Gustavo Abruzzini abordou com precisão, é esta vocação “sertaneja” que a cidade assumiu com muita força nos últimos anos. Eu me preocupo porque a cidade não tem gestor, e este é um evento que poderia colocar a cidade no calendário das grandes atrações do estado, porém, mais uma vez é desperdiçado, trazendo dor de cabeça pra população.

Não há uma via da cidade onde a gente não tenha que desviar de fezes de animal ou de peão, muitos deles bêbados, em cima de cavalo. Fora os maus tratos, que já são notórios. Ninguém é punido por isso.

Talvez se a coisa fosse diferente, se fosse melhor organizada, com fiscalização atuante, limpeza, educação, ação planejada e diálogo com a sociedade... Mas, numa cidade onde nada funciona a contento, não poderia ser diferente esperar ordem e fiscalização em cima desta “cultura” que dominou Valença.

Para quem não sabe selar um cavalo (como eu), a solução é tentar não sair de casa neste período e quando sair ter muita atenção pra evitar acidentes.

Aliás, um mês inteirinho de Festa de Peão: Rio das Flores, Arena, Conservatória, Juparanã... todas elas lotadas! Isto pouco tempo depois do carnaval. Que raio de crise é esta que a gente vive?

 

Perdoa-lhes, pois não sabem o que estão dizendo.

Fiquei bastante decepcionado lendo as postagens políticas de um líder religioso de Valença no Facebook, onde destilava preconceito e desinformação.

Postagens que mandam a Presidenta da República para lugares inimagináveis; que compartilham páginas mentirosas sobre o deputado Jean Wyllys; que desqualificam o sincretismo religioso, que atacam o MST; que falam mal do PT, mas ele se esquece do PMDB, do PSDB, do PP etc.

Agora, postagens falando do ataque aos mais pobres, como a PL 4330 (terceirização), da reforma agrária, dos mortos na guerra perdida contra drogas, ou ainda sobre a reforma política e contra a redução da maioridade penal (bandeiras da CNBB) passaram longe dali.

Não à toa este clérigo é egresso de uma arqui-organização religiosa do Rio de Janeiro que se notabilizou por dar apoio ideológico aos governos do PMDB no estado. Leia-se Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Eduardo Cunha.

Tenho saudade da igreja vibrante, da Teologia da Libertação, das Comunidades Eclesiais de Base, da Pastoral da Terra, de Dom Hélder Câmara... da Igreja que fazia a luta política em torno da mesma opção de Jesus: os mais pobres, as minorias, os marginais, os estigmatizados... assim como vem fazendo o santo Papa Francisco. E por falar em Francisco, que Deus lhe dê saúde e muitos anos de vida para cuidar do seu rebanho, pois vai precisar.

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