O papel das plantas espontâneas no sistema de produção orgânica

Edição: 448 Publicado por: Prof. Juliano P. Gonçalves em 19/06/2015 as 08:53

 
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As expressões ervas daninhas ou plantas invasoras representam, em termos agrícolas, “toda e qualquer planta que germine espontaneamente em áreas de interesse humano e que, de alguma forma, interfere prejudicialmente nas suas atividades agropecuárias”.

Essas espécies que surgem, espontaneamente, podem ser nativas ou exóticas já estabelecidas. Chamamos de nativas as que são originárias da própria área, enquanto que as exóticas são as que foram introduzidas na região. Importante ainda dizer que num sistema de produção orgânica é fundamental a promoção da agrobiodiversidade e a manutenção dos ciclos biológicos na unidade de produção (sítio, chácara, hortas comunitárias, etc), sempre com o objetivo de assegurar a sustentabilidade econômica, social e ambiental da unidade produtiva.

Desse modo, a flora assume especial importância na área, pois ela pode garantir a proteção do solo, pode ser base para hospedar inimigos naturais, que irão combater as pragas, etc. Podem ser úteis ainda na mobilização e ciclagem de nutrientes fundamentais na manutenção dos recursos necessários à produção agrícola.

Há inúmeras associações entre insetos benéficos à produção e plantas espontâneas, como prefere chamar a agroecologia, as plantas invasoras ou ervas daninhas. Portanto, atenção com essas plantas ditas invasoras, agora aqui chamadas de espontâneas, pois elas possuem inúmeras utilidades.

A verdade é que essas plantas trazem benefícios, em razão da manutenção da fauna benéfica, sobretudo, de insetos. Em determinadas fases do cultivo, elas podem danificar a produtividade biológica, mas as vantagens que trazem ao homem na produção agrícola são evidenciadas em diversos estudos.

Importante, portanto, considerar nos talhões de cultivo, a manutenção das faixas de vegetação espontânea, fora da área de cultivo comercial, assim como a sua preservação ao redor das hortaliças, condição que vai manter os aspectos naturais presentes no ecossistema local.

As faixas de vegetação espontânea podem ser denominadas de corredores de refúgio, tendo de dois a quatro metros de largura, e o objetivo é justamente abrigar a fauna benéfica, essa faixa vai garantir o abrigo de inimigos naturais, evitando o ataque à produção comercial.

Em complemento aos corredores, pode-se realizar o manejo da vegetação espontânea por meio de capinas em faixas para culturas com maiores espaçamentos nas entrelinhas e manutenção da vegetação entre os canteiros.

A diversificação nos sistemas de cultivo vai assegurar a redução da incidência de pragas, aumentando também a atividade biológica, principalmente, a de inimigos naturais. Outra importância e que se refere ao papel que essas plantas podem assumir numa propriedade é a de revelar as condições do solo, se é pobre ou apresenta desequilíbrios de nutrientes.

Vejamos alguns exemplos:

1 comentários

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Cintia em 04/07/2015 às 16:00 disse:

Interessante demais! O mundo precisa de uma visão mais naturalista sobre a saúde a alimentação e nossos sistemas de produção! Grata, prof. Juliano!
responder O comentário não representa a opinião do jornal! A responsabilidade é do autor da mensagem!
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