A sobriedade que entorpece

Edição: 452 Publicado por: Samir Resende em 16/07/2015 as 10:23

 
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O grande mantra entoado pelo ultraliberalismo econômico que manda no mundo é o discurso da “austeridade”. Austeridade também é sinônimo de retidão, compromisso árduo, sobriedade. Na política fiscal, austeridade é reduzir gastos sociais e aumentar arrecadação, via impostos, para garantir o pagamento de juros da dívida pública ao sistema financeiro.

Ora, quem em sã consciência seria contra a austeridade? Enquanto na ortodoxia liberal os governos só devem financiar o lucro e garantir a iniciativa individual, na vida real a gente percebe que quanto menos investimentos em saúde, educação, moradia, transporte, saneamento e previdência, mais alarmantes se tornam os indicadores da iniquidade social (doença, morte, miséria, violência...).

Os gregos, povo cabra da peste que há milênios ensina razão e democracia ao mundo, deram um rotundo OXI (não) a essa pseudo-austeridade. O Repórter Brasil, jornal da Tv Brasil, conversou com Maria Lúcia Fattorelli, auditora da Receita Federal, especialista em dívida pública e integrante da Auditoria Cidadã da Dívida, que esteve na Grécia para analisar a situação daquele país, a convite do governo de Alexis Tsipras. Segundo Fatorelli, a Grécia não deve tudo que os credores dizem. “A conclusão a que nós chegamos é que aquela nação, de 2010 pra cá, não recebeu recursos. Ela recebeu papéis. Papéis que vieram de uma empresa privada, localizada em Luxemburgo, da qual os países europeus são sócios. Essa empresa foi criada no auge da crise financeira em 2010, para salvar os bancos privados em crise, e ela faz uma espécie de reciclagem, tirando esses papéis podres, que estavam abarrotando o balanço dos bancos privados. Papéis desmaterializados, não comercializáveis. Olha, é um escândalo. Essa empresa foi criada no mesmo dia em que foi endereçado o pacote de salvamento, entre aspas, para a Grécia. Então o país está sendo praticamente utilizado”, explica a auditora fiscal.

No Brasil, boatos na internet dizem que o governo do PT vai cair. Ora, o PT já caiu faz tempo. Quem manda nessa zorra novamente é a troika internacional: Banco Mundial, FMI e Banco Central Americano (FED), sob a gerência local do ministro Joaquim Levy e do PMDB. E por falar nesse partido nefasto, o Estado do Rio se transformou na Central Brasileira da Negociata$$. O Estado mais rico do Brasil (per capita), capital do petróleo e da cultura nacional, se transformou num grande balcão de negócios privados financiados pela coisa pública.

Inclusive, o Rio de Janeiro exportou esse “modelo” de política para o Congresso Nacional, onde Eduardo Cunha et caterva advogam abertamente para os interesses do mercado predador. Vide a anistia aos planos de saúde que ele aprovou, entre outras peripécias.

Por aqui, parece que esse “livre” mercado triunfou. Agora, o Estado existe somente para garantir o lucro e a iniciativa voltada para o consumo e a prosperidade individual. A sociedade, em matéria econômica, deixou-se enganar pelo pensamento único do Sardenbergh e seus cupinchas da Globonews TV. A nós, a patuleia, resta a resiliência vigilante, pessimista na razão, mas otimista na vontade de mudar. Saudações a quem tem coragem, como os gregos, para ir contra o pensamento único que traz miséria e morte, com a complacência da grande mídia do país.

1 comentários

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Adebiano em 20/07/2015 às 13:07 disse:

Grande reflexão. Na mosca!
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