Imagem do relógio

Edição: 463 Publicado por: Fabrício Itaboraí em 01/10/2015 as 07:29

 
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A imagem do relógio da rua dos Mineiros mostra bem como foram os quase três anos do Governo Álvaro Cabral ou seriam três anos de micos e deboches com o povo valenciano?

Nas eleições em meio a uma guerra judicial provocada pelo grupo Corrêa, o atual mandatário da cidade venceu-as com ajuda do PT. Tinha na sua chapa como vice o falecido Munir Assis, figura carismática e representativa no Partido dos Trabalhadores.

No fim das contas, acabou eleito e o apoio do PT se mostrou importante, afinal foram dezoito votos de diferença para o segundo colocado.

Mesmo com essa importância coube ao vice-prefeito uma salinha e nenhuma importância no governo. Nenhum dos secretários ou mesmo cargos de segundo escalão do governo Álvaro Cabral contou com a participação dos aliados e militantes do PT, aliás, Álvaro só lembrou do Munir no seu velório onde resolveu render homenagens.

Esse fato pode ser apontado como segunda mancada do governo, porque a primeira sem dúvida nenhuma foi a demora para se formar o gabinete e a farsa da transição entre o governo do Vicente Guedes e Álvaro Cabral.

Os micos e contradições não pararam por aí. Como esquecer o famoso desvio de mais de um milhão de reais num suposto rombo deixado pelo antecessor? Sobre esse pretexto atrasou salários, e pretendeu parcelar os salários atrasados. Mas com a repercussão negativa e pressão dos servidores voltou atrás.

A sucessão de micos continuou, o lixo começou a acumular nas ruas, fruto do término do contrato com a empresa que fazia a coleta. A solução foi um novo contrato milionário com a empresa Própria que todos sabem se tratar da “própria” Locanty, que mais tarde se tornou um contrato ainda mais caro, que inclusive deflagrou uma CPI, mas falamos nisso mais tarde.

Antes, porém, vamos relembrar a greve de oitenta dias da educação que cruzou os braços porque o prefeito descumpriu uma obrigação legal e não respeitou a data base, fato que se repetiu neste ano, e novamente veio a ideia de parcelar o aumento da data base e outra vez os profissionais tiveram que cruzar os braços, desta vez fazendo meia paralisação.

No fim das contas, após essa crise, o prefeito de certa forma mesmo com todo desgaste conseguiu uma vitória, não concedeu um só centavo de aumento como também obrigou a categoria a repor os dias parados. E, agora, pagou quando quis e da forma que bem entendeu.

A suposta vitória durou muito pouco, pois uma gritante falha veio à tona. Mesmo com a paralisação dos profissionais da educação o governo não foi capaz de fazer o mínimo, e deixou vergonhosamente faltar merenda nas escolas ou ofereceu uma merenda de qualidade duvidosa e/ou insuficiente para garantir a nutrição adequada das crianças da rede pública. Faço um destaque para louvável dedicação da equipe de nutrição e até mesmo da nova secretária de Educação, mas é fato que estejam nadando contracorrente, pois os desmandos do prefeito impedem qualquer êxito no trabalho dessas profissionais.

Como esquecer o papelão da ex-secretária de Educação na Câmara? Pois, chamada na “Casa do Povo” para prestar esclarecimentos à população, seu despreparo ficou evidente. Foi uma vergonha a apresentação que fez, só sabia dizer que as perguntas estavam fora dos limites da convocação e se safou com esse mantra.

A crise da merenda gerou uma CPI, que foi a primeira, e a segunda aberta simultaneamente foi a do lixo. O prefeito contou com sua leal tropa de choque na Câmara, vereadores que se relacionam de forma promíscua com o Executivo, mas isso é outro capítulo da história desse controverso e impopular governo. O fato é: duas CPIs e absolutamente nada, e vamos para terceira – CPI do Táxi.

Vários outros micos foram cometidos, compromissos marcados e desmarcados por secretários e pelo próprio prefeito, mentidos e desmentidos, instalação da Chinezinho que não se instalou e ninguém mais fala da destinação da área que seria utilizada, semáforos que nunca funcionaram, tira mesinha do jardim, fecha rua para colocar mesinha.

Apesar de todas essas trapalhadas, todas essas confusões, a maior de todas, o provável maior mico desse governo e que dificilmente será superado seja talvez o menos óbvio. Olha que esse mico supera em muito a falta de público da arena de eventos e os custos para mantê-la, que agora está fechada, despejada por falta de pagamento e iniciativa do Ministério Público.

Se estiver curioso para saber qual é o maior mico do prefeito e sua equipe basta olhar na fotografia acima tirada hoje (18). Nem a matéria do CQC na Band foi mais engraçada do que o relógio marcando mais de 44 graus no Centro de Valença, e olha, não é a primeira vez, inclusive essa temperatura alta que contrasta com a baixa popularidade do Álvaro já teve registro de 50 graus.

Ao invés de usar os recursos públicos para educação, remédios, melhorar a água, ele achou mais conveniente autorizar a instalação de um patético e horroroso relógio que não funciona.

Parece que os semáforos inoperantes do Vicente Guedes não ficarão sozinhos.

O relógio quebrado da Rua dos Mineiros não é apenas o maior mico do Governo Álvaro Cabral, mas também é o maior deboche com o povo valenciano que sofre com falta de investimento na área da Cultura, Lazer, Educação e Saúde. Está quebrado e fora da realidade como este governo que não acerta os ponteiros com o povo, e que agora deverá acertar seus ponteiros com os vereadores, pois querem derrubá-lo. Será que querem mesmo?

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