Não tem jeito: uma hora a conta chega

Edição: 464 Publicado por: Samir Resende em 08/10/2015 as 07:39

 
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Sábado de sol, arrastão nas praias do Rio - mazela que existe desde “mil novecentos e Moreira Franco” - e as cenas violentas correm o Brasil, trazendo indignação às pessoas e dinheiro à mídia. Por meio dela, o Governador do Estado disse que vai continuar tirando menores “sem camisas e descalços” dos ônibus que vêm da Zona Norte, enquanto a Prefeitura não acaba de vez com as linhas que ligam os polos da cidade. Quanto tempo até construírem um muro?

Coincidentemente na mesma semana dos arrastões tivemos um evento de rock (in Rio) - com entrada a 300 reais - onde diversas pessoas também foram roubadas. Por que será que a gente não viu tanta polêmica e repressão na porta deste evento? Talvez porque ele é patrocinado pela mesma mídia e também pelos mesmos políticos que são contra os delinquentes descamisados da Zona Norte.

A mídia brasileira é incansável. “Especialistas” em segurança pública habitam os telejornais defendendo a opinião do Governador, ao mesmo tempo que a Rede Globo elege o novo vilão da novela: é o político vigarista defensor dos ~direitos humanos~. Ou seja, em que pese o PMDB de Pezão, Cabral, Picciani e Cunha governarem o Rio há mais de uma década, o “culpado” pela violência que assusta é o Marcelo Freixo, pré-candidato a prefeito do Rio pelo PSOL. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, né?

Vamos aos fatos: a polícia carioca mata mil pessoas por ano (fonte: IPEA) nos ditos “auto de resistência” (outros tantos policias também morrem nessa guerra) e quanto que a violência diminui no Rio de Janeiro? Por sua vez, jovens bem nutridos de Copacabana organizam maltas de lutadores para fazer justiçamento. Ora, achar que vão resolver o problema da violência dando porrada em quem já apanha da vida todo dia é de uma ingenuidade atroz. Assim como é ingenuidade achar que quem defende uma lógica diferente dessa aí é automaticamente defensor de bandido. Em tempo: o que justifica um celular custar cinco salários mínimos ou pessoas/celebridades que ganham três milhões por um mês de trabalho?

A sociedade precisa lutar mesmo é por um Estado que entregue o mínimo: esporte, cultura, saúde e escola em tempo integral, valorização do professor, que faz quatro anos de faculdade e ganha 900 reais por mês, jogado numa sala de aula com a obrigação de resolver os problemas do país na base do cuspe e giz. Ou então combater também o uso de drogas lícitas, como o álcool, que destrói milhares de famílias Brasil afora; ou ainda taxar as imensas fortunas e heranças para reconstruirmos o Sistema Nacional de Proteção e Seguridade Social, entre outras políticas públicas de maior ou menor intensidade.

Achar que uma dúzia de playboys que lutam arte marcial vai ganhar na mão de 200 mil “manos” da favela é outra bobagem que só vai fraturar ainda mais o tecido social tão desgastado. Precisamos de mais policiais sim, mas precisamos também de mais assistentes sociais, psicólogos, médicos, dentistas, nutricionistas, odontólogos, educadores físicos... ações e atividades que nos levem novamente ao rumo do crescimento econômico e desenvolvimento humano. Juntar turma pra bater em pobre descalço e sem camisa é mole, quero ver organizar turminha pra pegar político corrupto na porta da ALERJ!

É isso ou ficar ostentando o celular de dentro do condomínio.

2016 VEM AI!

Diz a lenda que quando Deus criou as cidades, Ele criou Valença com uma beleza única, clima agradável, natureza exuberante e gente de bem. Os Santos Padroeiros das outras cidades (Barra do Piraí), ao verem que Valença foi presenteada com tanta beleza, foram ter uma palavrinha com Nossa Senhora da Glória para que ela interferisse junto ao Filho Todo Poderoso:

- Dona Glória, não é justo Deus ter criado Valença tão bonita e agradável, o que nos torna tão feias e desatrativas perto dela. Não é justo!

Foi quando Nossa Senhora da Glória disse, em tom de vaticínio:

- Calma, esperem para ver os políticos que Deus vai botar lá!

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