Faz-se água por todos os lados

Edição: 467 Publicado por: Hélio Suzano em 29/10/2015 as 08:12

 
Leitura sugerida

Temos assistido nestes últimos meses a uma série de crises que paralisaram o país e o município: crise política, econômica, pedidos de impeachment, crise hídrica que em Valença ganha dramaticidade diante da questão política chamada Cedae, o estado geral de miserabilidade na qual Valença foi mergulhada etc. Quando acreditava que a razão poderia pautar os discursos políticos, nos vemos outra vez açodados por discursos bravateiros. Consequência direta do grande vazio de projetos estabelecido pelas últimas eleições. Políticos mudando discurso sem darem satisfação aos eleitores ou aos partidos; eleitores indiferentes, anestesiados pela incapacidade de reação.

Faz-se água por todos os lados, ainda que o rio das Flores sofra sem água. Mazelas antigas guardadas no armário persistem e se agravam num cenário de frustração geral da população. Parece difícil “parecer otimista” diante do quadro atual de crise que vivemos. A cidade patina na sua incapacidade de reagir e produzir boas notícias, de criar condições para novos projetos, novos políticos. Aliás, o apagão é também de opções políticas, e vem de uma lógica partidária coronelista que rejeita novidades em nome de velhas e surradas receitas.

A impressão é que a população continua a esperar o surgimento de um “salvador da pátria”. Encaminham suas vidas acreditando que a responsabilidade é só dos políticos, esquecendo que na democracia a responsabilidade é de todos. Enquanto isso os conselhos municipais amargam reuniões esvaziadas pela indiferença da população. Somos uma vergonha como cidadãos.

O interesse da população pela política se afasta na mesma proporção que o descrédito se aproxima. Enquanto isso, pessoas que poderiam estar produzindo politicamente perdem-se em discursos jocosos contra tudo, preferindo assistir do lado de fora a correrem o risco das cobranças do lado de dentro. Por outro lado, proliferam projetos políticos pessoais pouco ou nada alinhados com o bem comum, a base do consagrado “pão e circo”.

Precisamos valorizar o que temos de melhor e que nos destaca dos outros: nossa capacidade de superação. Já assistimos ao apogeu e declínio do café, e superamos; amargamos o fechamento das fábricas têxteis, e superamos; encaramos a crise da FAA, e superamos; Hoje vivemos uma crise moral, política e social sem precedentes. Mas nosso passado é prova de que podemos superar mais esta fase ruim. Para isto precisamos apostar na força da inteligência, dos projetos e da razão. Boa fé e voluntarismo bem intencionado não compensam o estrago que uma política equivocada pode provocar.

Poderíamos estar discutindo soluções para a questão da água, ou a utilização adequada para aquele espaço fantástico da Ferreira Guimarães, mas nos perdemos nesse cabo de guerra que não leva a nada, arrebentando sempre do lado do povo que sofre com água de péssima qualidade numa cidade carente, sem opções de emprego e de lazer.

Quando a população e os políticos entenderem as eleições como movimento democrático de participação coletiva que “produz sentido a plenitude das realizações da sociedade”, assistiremos à seriedade dos projetos ganhando corpo frente aos arroubos das paixões emocionais que vêm ditando nossa política nos últimos tempos.

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...