Tá com sêde ?

Edição: 471 Publicado por: Elvio Divani em 26/11/2015 as 07:59

 
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Encontro com Seu Ditão na feirinha de Parapeúna entretido em trocar algumas verduras do sítio por outras que não produz.

Cumprimentos pra cá e pra lá, abismado me pergunta sobre os efeitos do rompimento da barragem da mineradora de Mariana, não entendendo como pode ter tanta lama pra atingir quase novecentos quilômetros do rio Doce, matar os peixes, crustáceos, micro-organismos e plantas do rio, chegar até o mar e ameaçar o santuário de Abrolhos, que fica a uns duzentos quilômetros da costa.

É, Seu Ditão, esse é o preço que pagamos pelo conforto e pelo progresso, pois com esse minério que gerou esse rejeito, é produzido tudo que é feito de ferro, desde carros até fivelinha do cinto. Claro que esse desastre é culpa da ganância das empresas e da irresponsabilidade e inoperância do poder público, que deveria ter fiscalizado as barragens. Mas além do prejuízo e destruição irreversível ao Meio Ambiente, também há a questão do abastecimento de água da população e dos animais que vivem nesse vale. E é aí que a gente vê como a questão da água é importante e estratégica, pois sem ela não há vida. Aqui mesmo em Valença, o abastecimento de água é mais do que precário e temerário. Se acontecer alguma coisa na captação de água na Passagem vai haver um colapso e não adiantará distribuir água mineral, por que água não é só para beber. Também é preciso cozinhar, lavar, tomar banho, dar a descarga e porraí vai. A população precisa urgentemente se conscientizar e tratar melhor da água. Primeiro não desperdiçando, não jogando lixo e óleos e restos de comida nos ralos. Depois se mobilizando para cobrar do governo alternativas que darão segurança ao abastecimento e é aí que Valença é abençoada. Tem tamanho, área, e topografia que nos propicia nascentes por onde se olha e anda, de um lado o Paraíba do Sul, do outro o Rio Preto e no meio o Rio das Flores, o Bonito e o São Fernando. Temos uma bacia hidrográfica invejável, mas desperdiçada, mal utilizada, negligenciada, maltratada e poluída.

É preciso e fundamental a implantação do conceito de preservação ambiental nas escolas, conscientização das pessoas e uma política de proteção e recuperação dos mananciais. Esse modelo já existe em muitos municípios e então não precisa inventar nada. Depois investir em coleta e tratamento do esgoto pra não envenenar a água dos rios, esse o maior problema.

É, Seu Elves, lá no sítio a fossa é séptica e as nascentes tão cercadas e com mata em volta. Agora, o Tadeu deu a ideia de plantar bananeiras porque ajudam a segurar a água. Além disso também dão as bananas, que hoje custam nos mercados quase R$ 4 por kg . É mais um cascalhinho que entra pra gente, disse rindo. Sabe, Seu Elves, o Sr. falou da água pra beber. As pessoas se defendem comprando no mercado, mas e os animais, como vão fazer? Deus deu o dom pro homem domesticar e utilizar os animais, mas também exige a responsabilidade de tratar bem deles, respeitando, cuidando, curando e alimentando. Também entender que são animais e pensar como eles em vez de querer o contrário. Mas falando em alimentação, o Chico fez uma máquina que vai resolver grande parte dos problemas dos pequenos e médios produtores rurais. Ele fez uma máquina pra ensacar capim ou milho ou cana e fazer silagem, o que resolve a comida na seca. Esse “minino” é danado. Apesar de um pouco avoado, é inteligente, experiente, inventivo e muito habilidoso.

Seu Ditão, já vi a máquina funcionando e tenho certeza de que vai ajudar muita gente. Bem, vamos indo porque a luta continua. Té logo mais, Seu Ditão, e mande um abraço pro Tadeu, pra Flávia e pras crianças.

 

Em tempo 1: Meu avô diria: “é melhor prevenir do que remediar”

Em Tempo 2: diria também “não adianta chorar sobre o leite derramado...”

Em Tempo 3: meninas, lembrem-se de que em terra de chapinha quem tem cacho é rainha !!!

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