Reflexões sobre o momento

Edição: 487 Publicado por: Hélio Suzano em 24/03/2016 as 07:46

 
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As reflexões que nos trazem a Semana Santa, principalmente a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém - na Jerusalém dos patriarcas e dos reis sagrados - no Domingo de Ramos, montado num jumentinho - símbolo da humildade, expressão da pequenez terrena -, aclamado pelos mais simples que o aplaudiam efusivamente como o Messias, deixando claro àquele povo que Ele não era um Messias temporal e político, um libertador efêmero, mas o grande Libertador do pecado, nos dias atuais estas reflexões nos impõem a necessidade de rever nossos conceitos e posturas diante do nosso turbulento mundo.

Têm me faltado palavras, concatenações de pensamento acerca de tudo que envolve a ética, a moralidade administrativa e a política nestes dias turbulentos. Me chama a atenção a insatisfação geral da população de todas as camadas sociais com os Governos, o esgarçamento da credibilidade das Instituições políticas e de seus protagonistas.

E de quem é a culpa por tudo isso?

Essa política que aí está é reflexo de décadas de leniência e pouca informação, pavimentada inclusive por parcelas consideráveis das organizações da sociedade civil, que sempre se intitulam como avançadas e modernas. Mas, será que, da nossa parte, estamos dispostos a abrir mão da cômoda posição de expectadores e não tolerar mais mandos e desmandos na política e na gestão de nossos governos?

Será que podemos mensurar de alguma maneira quais os impactos de toda a briga política em Brasília sobre os municípios?  Poucos parecem parar para pensar sobre como os esquemas corruptos desses messias temporais de Brasília impactam as cidades, sobretudo as pequenas como nossa Valença.

Nesse cenário o que se vê é a repetição de erros. Parecem não ter percebido que as instituições políticas tradicionais perderam credibilidade junto à população. Assim, esquizofrenicamente, continuam fazendo a velha política, buscando por um salvador da pátria, um Messias temporal e político, um libertador social que possa “arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão”, quando na verdade eles próprios representam Roma.

O que legitima de fato o Estado de Direito é a vontade do povo. No instante em que um mandatário subverte uma função do Estado em benefício de “alguém” - como vemos no noticiário, nas gravações e nas delações - há uma clara ruptura do ordenamento com o desvio de funções. É exatamente isto que ocorre hoje no Brasil e que tanto nos impacta.

Aqui em Valença somos o reflexo de todo este cenário nacional desolador. Vivemos uma crise sem fim, onde o gestor tem muito o que fazer, com pouquíssimos recursos, com nenhuma capacidade de articulação e com um legislativo pouco disposto ao desafio. Uma cidade que precisa caminhar e avançar em direção a um maior envolvimento de seus cidadãos no futuro da cidade.

Grupos sociais e indivíduos comprometidos com a melhoria da qualidade dos serviços públicos já atuam intensamente em vários conselhos e espaços de gestão participativa da cidade. Resta articular e organizar esses grupos e indivíduos de forma a contribuírem para a discussão e para a gestão estratégica da cidade.

Surge assim uma pergunta: os cidadãos brasileiros estão dispostos a construir um novo País, um novo Estado, uma nova cidade, ou preferem o espaço cômodo de suas poltronas ou para criticar ou elogiar, sem fundamento maior, o que se faz na gestão dos governos?

De minha parte há, e muita, essa disposição. Pois foi o comodismo da crítica fácil e a omissão do exercício da cidadania que nos trouxe até aqui.

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