Cidade dos Marqueses

Edição: 514 Publicado por: Redação em 29/09/2016 as 09:08

 
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Cidade dos Marqueses

O começo da vila de Valença, as valorizadas terras para o cultivo do café nos trouxeram a adesão de grandes nomes da época. Valença era a Vila dos Marqueses, pois aqui mantinham propriedades agrícolas e/ou solares os ministros de Dom Pedro I, marquês de Baependy (Fazenda) e marquês de Valença (Justiça), além do marquês depois duque de Caxias, que faleceu na Fazenda Santa Mônica, único imóvel de Valença tombado pelo IPHAN (federal).

 

Celebridades

Os tempos áureos da Valença do Ciclo do Café fizeram destas pairagens constante desfile de celebridades, atraídas pelo sucesso de nosso agronegócio. A começar por Dom Pedro I que passou por aqui em 1824 e almoçou na casa do pároco. Mais à frente, Dom Pedro II cá esteve várias vezes para inaugurar nossos avanços ferroviários.

 

Celebridades 2

Pouca gente sabe, mas um dos primeiros professores públicos de Valença foi Antonio José Osório Pina Leitão. Hoje nome de rua, este é, também, o autor do poema épico da história portuguesa dedicado a Dom João VI, Alfonsíada de 1818.

 

Celebridades 3

Na advocacia e na política, a Valença da década de 60 do século XIX, atraiu o pernambucano Joaquim Saldanha Marinho e o alagoano Aureliano Candido Tavares Bastos que muito militaram no Partido Liberal. O primeiro foi líder maçom célebre na Questão Religiosa e o segundo deputado e escritor.

 

Cearenses e pernambucanos

E a ascendência nordestina na política e nos altos cargos não param por aí. O coronel João Rufino Furtado de Mendonça era cearense de Sobral. E de Pernambuco também vieram o primeiro bispo Dom André Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, o padre Francisco Luna e o presidente da Academia Valenciana de Letras, Antônio Augusto de Siqueira.

 

Centenário do Coreto

Na noite do dia 15 de novembro de 1916, o vice-presidente da Câmara, em exercício, o médico Firmino Prisco Rodrigues Silva inaugurava o sonhado Coreto da Praça Visconde do Rio Preto. Surgidos em meados do século XVIII, na Europa, os coretos ganham o mundo a reboque dos ideais da Revolução Francesa, que vai democratizar a cultura. Fato é que no começo do século XX, viram febre e iniciativa de governo. Para construir o coreto de Valença, Firmino Silva recebe subvenção do governo do Estado. De ferro fundido sobre sólida base de cimento é obra da Fundição Brasil.

 

O Solar

Um dos prédios que mais testemunhou momentos históricos é, provavelmente, o Solar do Visconde do Rio Preto, atual Colégio Theodorico Fonseca. Como se não bastasse ter pertencido a três grandes nomes da benemerência valenciana (Visconde do Rio Preto, Antonio Jannuzzi e José Fonseca), pesquisas recentes apuraram que foi também residência do advogado e escritor Lúcio de Mendonça (fundador da Academia Brasileira de Letras), que sediou a fundação do Partido Republicano de Valença, em 1887.

 

O Solar 2

Outra pesquisa recente descobriu que quando a cidade planejava sua estrada de ferro, o solar recepcionou, para almoço festivo, o engenheiro Cristiano Benedito Ottoni, primeiro diretor da Estrada de Ferro Dom Pedro II, que por ser casado com valenciana, muito se empenhou para ajudar, cedendo os engenheiros ingleses que fizeram os primeiros levantamentos. Mais tarde, em 1910, o comendador Jannuzzi oferece banquete para o senador Nilo Peçanha que, quando presidente da República, promoveu a encampação da União Valenciana pela Central do Brasil.

 

Quem foi mais longe

Mas o auge da política valenciana se deu quando Humberto Pentagna foi eleito para o cargo vago de vice-governador do antigo Estado do Rio de Janeiro. Tomou posse e ficou por breve período interrompido pela Revolução de 30. A política de Pentagna forma quadros para a cidade e de seu grupo surgem Oswaldo Terra, Luiz Pinto, Benjamin Ielpo e Osvaldo Fonseca, único político valenciano a ser eleito deputado federal, na fase republicana de nossa história.

 

Três dias que abalaram

Na história contemporânea de Valença, há também acontecimentos traumatizantes de que pouco se fala. Três políticos em desequilíbrio atentaram contra a vida. Dois prefeitos, um em 1938 e outro em 1958, acabaram com a própria vida e um ex-prefeito, ocupando o cargo de deputado estadual, em 1964, matou a própria esposa para logo depois falecer.

 

Memórias de infância

O jornalista republicano Quintino Bocaiúva viveu em Valença boa parte de sua infância e juventude e aqui tinha parentes. O pai fora coletor estadual e os tios maternos Moreno Alagão, por aqui se mantiveram muito tempo. Quando chega a governador do Estado, Quintino visita Valença, sem alarde, para matar as saudades, em 1902.

 

Emprego na praça

A fase industrial iniciada em 1906, levou algumas de nossas praças como a da Estação que virou a Companhia Industrial de Valença (1906) e a Conde de Baependy que virou a Cia Progresso de Valença (1924). Por outro lado, a indústria têxtil forneceu a Valença muitos empregos e fortuna para seus acionistas. E para a cidade, antecipou o advento da luz elétrica que foi inaugurada no dia 9 de março de 1907.

 

Atheneu

Outra história pouco contada de Valença, tem como seu personagem principal o comendador Antonio Jannuzzi. Italiano, construtor e homem de sucesso nos negócios era evangélico e para que pudesse ser provedor da Santa Casa esta torna-se leiga adotando o nome de Casa de Caridade. E é dele a iniciativa de dotar a cidade do ensino científico e ginasial fundando o colégio Atheneu Valenciano que, apesar de ter durado bons anos, mal é citado por nossos historiadores, devido a sua ligação com a Igreja Protestante. Creditou-se ao primeiro bispo tal façanha, anos depois ao fundar o São José e a Escola Normal.

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1 comentários

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Maria Teresa D'Alessio em 30/09/2016 às 14:58 disse:

Muito interessante, infelizmente nos Valencianos sabemos muito pouco sobre a historia da cidade. Obrigado por compartilhar.
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