Estilos Brasileiros: O Choro

Edição: 333 Publicado por: Rafael Camacho em 22/03/2013 as 09:42

 
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Nascido por volta de 1870, nos cortiços do bairro da Cidade Nova, no Rio de Janeiro, o Choro era - antes de se consolidar como um gênero musical urbano genuinamente brasileiro - apenas a denominação usada para o jeito com que os músicos da época interpretavam os Lundus (dança e canção de origem africana), as Modinhas (consideradas o primeiro gênero de canção popular brasileira) e, principalmente, a Polca, gênero trazido ao Brasil pelos colonizadores europeus.

Devido à interpretação melancólica que os músicos davam às músicas, (principalmente pelo acompanhamento grave feito pelo violão, chamado de baixaria) eles passaram a ser chamados de chorões, e seus grupos eram constituídos, até então, apenas de violão e cavaquinho.

Ainda no final do século XIX, Joaquim Antonio Calado Jr. (professor de flauta no Conservatório Imperial) se juntou aos violões e cavaquinhos formando uma nova e peculiar sonoridade. Assim surgiu o “Choro do Calado” e devido à flauta ser feita de ébano, essa formação também foi chamada de “pau-e-corda”.

A maestrina e pianista Chiquinha Gonzaga também contribuiu ativamente para a formação do estilo, compondo músicas conhecidas até os dias de hoje como Gaúcho, Corta-Jaca e Lua Branca, entre outras.

No inicio do século XX, o Choro começou a se consolidar como gênero, ao mesmo tempo em que eram gravados os primeiros LPs de 78 rotações. Destacaram-se nesse período, o compositor e arranjador Anacleto de Medeiros, o violonista João Pernambuco que incorporou, no Choro, elementos da música do sertão, e principalmente Ernesto Nazareth, que compôs Brejeiro (1893), Odeon (1910) e Apanhei-te Cavaquinho (1914), composições fundamentais para a solidificação do gênero e que até hoje são muito executadas nas rodas de Choro.

Em 1919, talvez o maior nome do Choro, o arranjador, saxofonista e flautista Pixinguinha, formou o grupo “Oito Batutas”, no qual também faziam parte, nos violões, João Pernambuco e Donga (considerado o autor do primeiro samba, Pelo Telefone de 1917). O grupo logo fez sucesso nos bailes da elite carioca com instrumentos que até então só eram vistos nos subúrbios. Autor de músicas mais do que conhecidas como Carinhoso, Rosa e Lamentos, com os “Oito Batutas”, Pixinguinha viajou para a França em 1922 excursionando com o nome de “Les Batutas”.

Outro nome fundamental foi o bandolinista Jacob Bittencourt, mais conhecido como Jacob do Bandolim. Famoso pela rigorosidade e bom gosto, Jacob entrou para a história do gênero compondo músicas como Noites Cariocas, Doce de Coco e o Vôo da Mosca. Em 1960, formou o conjunto “Época de Ouro”, grupo que após a morte de seu fundador continua em atividade.

Contemporâneo de Jacob, o cavaquinista Waldir Azevedo também foi de extrema importância. Foi ele quem compôs o Choro Brasileirinho.

Através dos anos, o Choro se manteve e influenciou inúmeros artistas brasileiros, como: Paulinho da Viola, Guinga, Hermeto Pascoal, Paulo Moura, Radamés Gnattali, Villa-Lobos, Raphael Rabello, para citar alguns. E a partir de uma importante revitalização na década de 70, ele continua representado por grupos como “Rabo de Lagartixa”, “Água de Moringa”, “Trio Madeira Brasil”, “Nó em Pingo D’água”, “Galo Preto”, entre muitos outros que, ao mesmo tempo em que perpetuam, inovam o Choro.

 

Rafael Camacho é licenciado em Música e bacharel em Guitarra pelo Conservatório Brasileiro de Música e professor de Guitarra no CataVento

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