O país está nu!

Edição: 543 Publicado por: Redação em 26/04/2017 as 14:07

 
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O país está nu. O desenrolar da Operação Lava-Jato impôs este sentimento. O impressionante volume de recursos, a serviço do azeitamento da máquina de corrupção das empreiteiras é de deixar ruborizada qualquer imagem de santo católico. O que dirá do trabalhador massacrado pelo fantasma do desemprego, do empresário sufocado pelos encargos de sua atividade e de todos que geram as riquezas que sustentam as indecentes gestões fraudulentas deste país, cujos governantes associados a gangsters das obras públicas o querem como colônia exploratória de seus ensandecidos projetos de enriquecimento ilícito.

O país está estarrecido, envergonhado, entristecido e enfraquecido diante de tão contundente confirmação do que desconfiávamos: somos os campeões mundiais da corrupção, da desfaçatez, do desequilíbrio social montado e dos políticos bacanas e endinheirados.

E no interior a decepção não é diferente. Sobretudo se recordarmos o quanto de mãos sujas nossos políticos nos propiciaram apertar no afã de ganhar pontos e espaço, com verdadeiros crápulas de Brasília e do Rio de Janeiro. Não é preciso ir muito longe na memória, para lembrar que aqui estiveram com suas mãos estendidas ao nosso inocente cumprimento e inocente suposição de estarmos diante de homens honrados. E assim foi que sujamos nossas mãos calejadas de trabalho com figuras como Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Sérgio Cortes, Pezão, Garotinho, Piccianis, Rodrigo Maia, Lindberg Farias, Luiz Fernando Faria, dentre outros. O destino, por sua vez, nos poupou de outros caras de pau que nos foram indicados ao voto, mas que por suas dimensões felizmente não nos deram o desprazer de por aqui aparecer, tais como Lula, Aécio Neves e Dilma Roussef. E de outros que, ao que tudo indica, também não vingarão como poderiam supor a projeção de nossos gurus da política quando avaliavam os bambas do futuro Eduardo Paes, Gilberto Kassab e Rodrigo Maia.

Este panorama de verdadeiras apostas erradas, desnudadas pelas agruras da Lava-Jato, levam a certificar-nos de que nossos políticos do interior atuaram equivocadamente, em geral, quando buscaram associar-se a padrinhos pela ótica pura e simples das perspectivas de apoio e alavancagem política, pois, agora, terão de rever posições e posturas se quiserem sobreviver a esta verdadeira tsunami. E farão pior se tentarem emplacar, daqui para frente, o discurso de que não sabiam com quem estavam se envolvendo ou de que apesar de tudo, estes acusados fizeram muito por Valença, por Rio das Flores ou por Rio Preto. Pois aí, nós devemos a obrigação de reverter tal argumento para lhe garantir que, ao contrário, nossos municípios e nossos representantes é que muito fizeram para que estes pilantras posassem de grande gente que não eram. Que são os municípios, com sua ingênua humildade, que lhes deu margem para manejarem, manipularem e conduzirem a máquina de emendas, indicações e obras a seu bel-prazer do pedestal que nos fazem colocá-los por tão pouco para nós e o tão muito para eles se locupletarem em nossos nomes, população brasileira.

Neste mar de bolas murchas da política brasileira, sobreviverão os políticos que sempre foram preteridos de nossos representantes por não oferecerem o mínimo vislumbre da proximidade do poder. Aqueles dos partidos pequenos, do discurso pela coerência, da denúncia da inversão constante de valores, das jogadas e das mamatas. Aqueles cujo ato de fazer política sempre passou longe do ato de fazer conchavo e de fazer estratégias de política da supremacia, da falsa transparência e, pasmem, da falsa honestidade.

Bem-aventurados, os homens e mulheres de bem que de agora em diante, se obrigarão a se levantar para salvar este país da corja de aventureiros que nos dilapidaram e nos impuseram as crises. Chega.

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