A Valença que dá certo

Edição: 334 Publicado por: Hélio Suzano em 28/03/2013 as 11:11

 
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Houve um tempo em que as coisas em Valença iam bem. A economia era pujante e vivíamos uma atmosfera de prosperidade e otimismo, com políticos que, se não faziam mais, pelo menos não atrapalhavam o desenvolvimento da cidade. Esse tempo vai longe... Hoje, vai ficando cada vez mais esquisita a agenda política de Valença. Já não bastassem as agruras de praxe por que passam a maioria dos municípios medianos como o nosso, ainda temos que conviver com as dificuldades criadas por figuras que deságuam em nosso remanso trazidas pela política do faz de conta e da fanfarronice.

Até percebermos que não somos bonecos de corda a repetir a mesma cantilena pessimista “de que Valença não tem jeito”, sem nenhuma reflexão a respeito. Este é um alerta aos demagogos que sempre apostaram no pior e jamais admitiram sequer à existência de um modelo inteligente, inodoro, capaz de alguma melhora. Mais uma vez, o Centro de Ensino Superior de Valença (CESVA) vem demonstrar que é possível ser protagonista do bem neste cenário contaminado. No último dia 22 de março, foi publicado no Diário Oficial da União o despacho do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, restituindo as oitenta vagas totais anuais da Faculdade de Medicina de Valença.

Para mensurar a importância desta conquista, grandes empreendimentos como Estácio de Sá, Suprema e Severino Sombra, para citar apenas três que atuam na região, não conseguiram atender todas as exigências do termo de saneamento que assinaram. Somente Valença conseguiu. Não por acaso, o curso obteve nota quatro na última avaliação e no geral. A Fundação Educacional Dom André Arcoverde (FAA) ficou entre as melhores universidades particulares do Estado do Rio. Um feito que poucos valencianos se dão conta.

Problemas existem, frutos do imobilismo geral do país, de uma carga burocrática burra que penaliza as pequenas e não é capaz de enxergar as diferenças. Problemas existem também, pela embotada estrutura fundacional do MEC e pela incapacidade de alguns políticos locais entenderem a importância e o privilégio de dispormos de um Centro de Ensino Superior. Perdem-se na miudeza das divergências políticas, da inveja, da busca incessante por vantagens para si próprio e seus familiares. Gente com ambição demais que propositadamente desvirtua o debate buscando a difamação da instituição, com o único objetivo de aferir vantagens. Isto sem falar dos desinformados que, por ignorarem o assunto, cometem as maiores violências contra a instituição.

O que fica dessa conversa toda é a convicção de que a comparação com o desempenho da FAA é dolorida, para os políticos. Até por que na retórica valenciana, quem manda não precisa explicar nada. Para não ser injusto, houve e continuam a existir políticos que conseguem entender a importância de que se comprometer com a instituição é trabalhar pelo seu fortalecimento e não ficar amealhando pequenos favores.

Sem uma atitude de verdadeiro respeito pela Instituição, ou mesmo pela cidade, não adiantará nada trancar-se em grupos fechados denominados situacionistas, oposicionistas ou “independentes”, destilando desabafos, promovendo teorias para “o fim de Valença”. “A certeza nem sempre é amiga da sanidade”, bem escreveu Martha Medeiros. Não importa a bandeira política ou o grau de simpatia, é decisivo para Valença dar certo, o desapego de nossas crenças para o início de um debate que consagre a vitória da inteligência.

Hoje, diante da conquista da Faculdade de Medicina, que ultrapassa qualquer antipatia ou interesse político, encerro otimista esta coluna, rogando que esta vitória contamine os políticos e gestores do sistema de saúde de Valença trazendo avanços e melhorias no atendimento público e privado, o que trará maior credibilidade e confiança da população em seus mandatários.

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