O Major Bahia

Edição: 547 Publicado por: Aloisio Melo Morais em 25/05/2017 as 08:30

 
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Em terras dos coronéis do inicio dos anos de 1900, em Parapeúna e Rio Preto viveu o “Major Bahia”. Revendo as crônicas dos José Antônio e Miguel, ambos Tavares e irmãos, é que soube da existência do estimado major.

A patente militar era simbólica, como a de coronel daquela época. Era lusitano nascido em Coimbra, Portugal. O codinome “Bahia” se deveu ao curto período em que passou na cidade de “Todos os Santos”, no final dos anos de 1800.

O título de “major” ganhou por sua incorporação à folclórica “Guarda Nacional” dos primeiros tempos republicanos. Em São Sebastião do Rio Preto ou “Vila de Parapeúna”, o herói dessa história foi de tudo um pouco na vida.

De “curandeiro” a político o Major Bahia desempenhou a função pública de “fiscal de rendas”, “comerciante” e, por último de “hoteleiro”. Como comerciante acabou falido em mãos de agiotas e credores.

E como hoteleiro o seu destino não foi muito diferente. O Major Bahia, com pena de hóspedes às vezes os recebia de graça. Foi assim, sem cobrar nada que hospedava “Seu Lisboa”, que nada pagava para morar num dos quartos do hotel.

- “O Major era, sem dúvida, um homem bondoso” - como diziam naquela época. À tarde era comum a pedintes sentarem no degrau da porta do hotel a esperar ganhar um prato de comida, aliás, nunca negado.

Um desses que vivia bêbado por ali, na vila, Pedro Celestino, em agradecimento ao major criou para ele até uma musiquinha, cantada em Parapeúna e Rio Preto. “Viva o Major Bahia/Dono do Hotel Muquira/Onde a pobreza gira”. Muquira só para rimar com gira, pois não existe essa palavra.

Mas, o hotel, como as demais residências de Parapeúna daqueles tempos, não possuía banheiro dentro de casa. Era a “casinha” – assim chamada e que ficava no quintal. Embaixo passava um córrego para carregar os excrementos.

E foi num certo dia de muito frio que o Major Bahia, às 4 da madrugada, acordou com os latidos de seus dois cachorros. Levantou-se e abriu a porta da cozinha. Lá fora, congelado entre os galhos da goiabeira, havia um hóspede, vestido de camisolão de dormir. Ele estava ali há horas e o cães embaixo da árvore.

O Major esquecera-se de avisar ao pobre homem que à noite os cães eram soltos. E que se quisesse ir à “casinha” tinha que avisar para que ele prendesse os cães. E o hóspede, sem saber da recomendação, fora desavisado parar entre as feras.

Era por essa razão que no quarto do “Seu Lisboa”, também chamado de “Miolo Mole”, a arrumadeira tinha que pegar um penico cheio de urina todas as manhãs. O velho tinha incontinência urinária, e como não ia à “casinha” à noite, mijava no penico.

Obs.; O “Major Bahia”, faleceu em 1927, e seu nome era Antônio Francisco Alves, avô de José Antônio Tavares e Miguel Tavares, autores do livro Crônicas Riopretanas, p.96, Ed. Valença S.A, e patrocínio da Casa Levi).

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