Interconexões

Edição: 549 Publicado por: Marilda Vivas em 07/06/2017 as 11:16

 
Leitura sugerida

Acordo de Paris

O mês de junho começou mal com o recuo imoral do governo americano de se retirar do Acordo de Paris sob a argumentação de que este pacto mundial é desvantajoso para os norte-americanos pela metas ousadas que o país deveria cumprir. Ora, ora! Os Estados Unidos é segundo maior produtor mundial de gás de efeito estufa que compromete o planeta. Por outro lado, por ser o país  que mais se beneficiou dos dividendos da globalização, também possui um dos maiores índices de consumo per capita do mundo, sendo aquele que mais gera emissões de CO2-equivalente per capita.

Considerado um marco no combate ao caos climático, o Acordo de Paris, firmado por 195 nações em dezembro de 2015, durante a cúpula conhecida como COP21, tem como objetivo limitar o aquecimento global a partir da redução das emissões globais de gases de efeito estufa em cerca de metade do necessário para evitar um aumento nas temperaturas atmosféricas de dois graus Celsius (2ºC) ou 3,6 graus Farenheit (3,6°F) em relação às temperaturas pré-industriais.

Estudos científicos sugerem que esse é o ponto em que o mundo ficará preso em consequências devastadoras, incluindo o aumento do nível do mar, secas e inundações severas, falta generalizada de alimentos e de água e tempestades ainda mais destrutivas.

O acordo é em partes voluntário e em partes juridicamente vinculativo e entra em vigor em 2020.

Para muitos, Donald Trump dá um tiro no pé ao virar as costas para o setor de energias renováveis – que gera empregos doze vezes mais rápido que o restante da economia – e ao dobrar a aposta em setores decadentes, como o de carvão, o governo federal americano entrega a competitividade da indústria à China, que já investe mais que os EUA em energia solar.

Condenando fortemente a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima, o Greenpeace - maior organização não governamental de defesa do meio ambiente - condena o fato de Trump ter “atacado o Plano Energia Limpa” de Obama e autorizado projetos de empresas petrolíferas para perfurações no Ártico, proibido anteriormente por Obama.

Sintomaticamente, no mesmo dia em que Trump informou o abandono do Acordo de Paris (1º/6), ambientalistas e cientistas internacionais lamentaram que um dos maiores icebergs do mundo esteja a ponto de desprender-se na Antártica. A massa de gelo tem 350 metros de espessura e pesquisadores associam o seu desprendimento rápido ao processo de degelo dos polos, uma das consequências do processo de aquecimento global.

 

Mora na Filosofia...

Ao entender que Donald Trump não só não está disposto a intensificar os compromissos assumidos pelo seu antecessor Barack Obama, como não quer sequer cumprir com o que foi estabelecido em 2015, recordei as seguintes histórias, não de todos desconhecidas.   

Primeira: “Dois amigos caminhavam pela floresta quando ouviram o rugido de um leão. O primeiro começa a pensar em lugares para se esconderem. O segundo lentamente abre a mochila e começa a calçar seus tênis de corrida. O primeiro pergunta: “Você pensa que consegue correr mais rápido do que o leão?”. O outro responde: “Não preciso correr mais rápido do que o leão. Apenas preciso correr mais rápido do que você.”

Segunda: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes de uma tribo da África chamada Ubunto e quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta para casa. Sobrava-lhe muito tempo e ele, então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo em um cesto bem bonito, com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse “já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha de partida que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse “Já!”, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: “Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

Ambas as situações revelam um dos grandes dilemas humanos: altruísmo ou sobrevivência? O que deve ter primazia, o bem comum ou os interesses pessoais? Convivemos todos com essa ambiguidade de bem e mal guerreando dentro de nós.

Que relação isso tem com Trump, com EEUU, com Acordo de Paris, com Chico Science & Nação Zumbi no belo clipe “A cidade” e tantas e tantas outras coisitas a mais, sinceramene, não sei. Mas que tem, tem.

 

Ubuntu

Ubuntu é uma filosofia africana, presente na cultura de alguns grupos que habitam a África Subssariana, cujo significado se refere a humanidade com os outros. Ubuntu significa generosidade, solidariedade, compaixão com os necessitados, e o desejo sincero de felicidade e harmonia entre os seres humanos. Trata-se de um conceito amplo sobre a essência do ser humano e a forma como se comporta em sociedade. Uma ideia semelhante à do “amor ao próximo”.

 

Evento

Em continuidade às atividades do II Seminário Orientador “Repensar o Brasil a partir do Município”, a Pastoral Fé e Política e a Cáritas Diocesana discutem, na noite de hoje (8/6) o tema “Fraternidade. Biomas brasileiros e defesa da vida. Olhando a Mata Atlântica - Nosso Bioma”, com foco sobre aspectos ambientais do Município de Valença - suas interrelações, potencialidades, situações de riscos e importância para a vida. Local: “Pavilhão Leoni” (Largo da Catedral), com início às 19h e término previsto para as 21h.  Aberto a todos.

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...