15 de Agosto

Edição: 559 Publicado por: Marilda Vivas em 16/08/2017 as 11:16

 
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Winston Churchill havia avisado:

- É alarmante e nauseabundo ver a este senhor Gandhi, este maligno e fanático subversivo… A verdade é que cedo ou tarde teremos que enfrentá-lo; enfrentarmos ele e a todos os que o apoiam e finalmente esmagá-los. De nada vale acalmar o tigre dando a ele comida de gato. E não temos a menor intenção de abandonar a mais brilhante e preciosa pérola de nossa coroa, glória e poder do Império Britânico.

Mas, alguns anos depois, a pérola abandonou a coroa. No dia de hoje de 1947, a Índia conquistou sua independência.

O duro caminho rumo à liberdade tinha se aberto em 1930, quando Mahatma Gandhi, esquálido, quase nu, chegou a uma praia do oceano Índico.

Era a marcha do sal. Eram poucos, pouquinhos, quando a marcha partiu, mas uma multidão chegou a seu destino. E cada um pegou um punhado de sal e levou à boca, e assim, cada um deles violou a lei britânica, que proibia que os hindus comessem o sal de seu próprio país. (Eduardo Galeano. In: Os filhos dos dias).

 

A Satyagraha do Sal

Gandhi tinha 60 anos quando isso se deu. A ação de resistência pacífica ficou conhecida como a Marcha do Sal ou A Satyagraha do Sal. Antes, ele escreveu ao vice-rei dizendo que iria fazer sal ilegalmente e que chamaria os indianos a fazer o mesmo. Assim começou a marcha, que durou cerca de um mês e que atravessou um percurso de quase quatrocentos quilômetros até o mar. Ao chegar ao litoral, na véspera da ação, Gandhi falou às pessoas: “Segurem o sal em suas mãos e pensem que ele vale sessenta milhões de rúpias. Isto é o que o governo britânico vem tirando de nós com o monopólio do sal”.

O sal foi escolhido por ser um símbolo poderoso: “Ali há algo de que todos precisamos, por que isso deveria ser taxado?”. Como era possível cem mil soldados controlarem 350 milhões de pessoas? Ele dizia: “Não devemos odiar os britânicos, eles não tiraram a Índia de nós, fomos nós quem a demos a eles”.

Depois disso, nada mais soou igual. A resistência revelou a injustiça e acabou com o consentimento indiano em relação à dominação estrangeira. O povo havia acordado para o seu próprio poder e se colocado na estrada da independência, que viria a acontecer em 1947, dezesseis anos após o término da II Guerra Mundial.

Gandhi não logrou viver esse momento histórico: um mês após A Satyagraha do Sal, um hindu, que não aceitava o apoio de Gandhi à união entre hindus e muçulmanos na Índia, tirou-lhe a vida. Esta união não aconteceu, nascendo assim o Paquistão.

Sua filosofia e legado escrito também contribuíram para inspirar outros, como Martin Luther King Jr., em busca de mudanças através da desobediência civil sem violência. 

 

Sal: plantar e colher

A palavra vem do vocabulário grego “hals” e “halos”, que tanto significam sal como mar. Da mesma raiz se deriva a palavra “halita”, dada ao cloreto de sódio encontrado em depósitos naturais, que é o sal gema. E salário (do latim) pelo valor econômico como unidade monetária (ração de sal, soldo).

O simbolismo do sal é muito forte, associado tanto à religião quanto à “bruxaria”. A Bíblia lhe faz muitas referências. No Havaí a pessoa que volta de um funeral polvilha sal sobre si mesmo, para garantir que maus espíritos que rondassem o defunto não a acompanhem em casa. Eu mesmo, sem saber como assimilei isso, enterro meus mortos com um pouco de sal.

Mas, se falar de sal é falar de mar, que se fale também de Yemanjá, a doadora da vida. O seu nome tem origem nos termos do idioma Yorubá “Yèyé omo ejá”, que significam “Mãe cujos filhos são como peixes”. No sincretismo religioso em que estamos plenamente mergulhados, Yemanjá é Nossa Senhora da Glória, da Conceição, dos Navegantes, das Candeias e da Piedade. Homenagens lhe são prestadas em 2 de fevereiro, 15 de agosto e nos dias 8 e 31 de dezembro.

O sal dos Tribalhistas está chegado para o deleite de todos nós.  

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