Um bom livro, o do Rodrigo

Edição: 559 Publicado por: Aloisio Melo Morais em 17/08/2017 as 09:08

 
Leitura sugerida

Está saindo da gráfica, quentinho, o livro, do recém-chegado autor Rodrigo Magalhães. Ele vem com a força de uma boa pesquisa historiográfica. Revela dados históricos preciosos sobre “...os caminhos do Descoberto da Mantiqueira onde achava-se encravado o Cêrtão do Rio Preto”.

São 330 páginas de uma História bem contada, em que há fatos do passado, datado de 1700. Há também os recheios de “causos” permeando aqueles longínquos tempos até final de 1800.

Vale a pena ler - eu já tive esse privilégio - o novo texto, intitulado “Descoberto da Mantiqueira – O Sertão Prohibido do Rio Preto”. Conforme o autor revela, suas pesquisas sobre a História de Rio Preto e região, começaram em 1998 e só agora, finalmente, transformaram-se em livro.

Pelo texto, leitor(a), você tomará conhecimento, por exemplo, das três viagens que o biológo francês, Auguste de Saint-Hilaire fez ao Brasil, passando pela nossa região, em 1817, 1819 e 1822.

Foi ele quem primeiro descreveu com precisão, em suas anotações, os limites geográficos e catalogou a fauna e flora da Zona da Mata Mineira. Também coube a Saint-Hilaire as primeiras descrições dos índios que habitavam a nossa região, como os Coroados, Coropós, Tapuios e Puris.

Será pelo livro, leitor(a), que você vai saber que o então diretor de índios de Valença, em março de 1803, José Rodrigues da Cruz, enviou uma carta ao vice-rei do Estado do Brasil, Dom Fernando José de Portugal. No documento, ele informou que estava envolvido em um reconhecimento de índios nas cabeceiras dos rios Preto e Flores – os Araris – “únicos que me parece restavam”, teria escrito ao vice-rei.

Conta Rodrigo Magalhães, no livro, “que um ano depois, certa sociedade de índios Ararizes, ao que parece os únicos ainda selvagens que viviam no limite da capitania, procurou José Rodrigues”.

E teriam denunciado moradores do Arraial de Rio Preto que estariam caçando e matando índios. O diretor então envia uma carta da Aldeia de Valença ao Sr. Comandante da Guarda do Presídio do Rio Preto, Capitão Miguel Rodrigues da Costa, onde conta o narrado pelos índios sobreviventes de uma tocaia.

“- A esta aldeia de Valença se me apresentou um índio com uma facada nas costas e outro, um braço bem mal tratado e cotilhado (sic), queixando-se, segundo ele, dizem que no Presídio Velho, indo uns Índios Ararizes a uma Roça e que arrancaram umas mandiocas e que anoitecendo dormiram e de noite vieram três pessoas que é o que dizem, com facões e mataram logo três índios a facadas e feriram os dois que escaparam...”.

Tem também a saga de uma bela jovem índia, Maria Eugência, pega a laço em Porto dos Índios pelo fazendeiro português, Manoel Gomes de Oliveira Lima. Perdidamente apaixonado veio a se casar com ela, dando a origem a uma das mais antigas e tradicionais famílias da nossa região, os Souza Lima.

Leitores e leitoras, não deixem de ler esse texto do livro do nosso recém-chegado escritor de Literatura Historiográfica, Rodrigo Magalhães. São informações reveladoras sobre a nossa História e origem. O lançamento será no próximo dia 2 de setembro no Clube do Cruzeiro, em noite de autógrafos em Rio Preto.

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