O livro de contos do Dr. Alberto

Edição: 560 Publicado por: Aloisio Melo Morais em 24/08/2017 as 09:54

 
Leitura sugerida

Recebi do Marquinhos, do Fundo de Quintal, restaurante da boa comida rio-pretana, Zé Hamilton, o livro “Contos da Mata Mineira”. Quem deixou lá o livro foi o Sr. Zé Portugal, filho do autor, Alberto Furtado Portugal, já falecido.

Em Rio Preto a lembrança do “Dr. Alberto”, como era carinhosamente conhecido na cidade, é de ter sido uma pessoa simples, bondosa mesmo, lhano no trato, sempre de braços e sorrisos abertos pra quem chegasse nele.

Além de advogado era professor de Geografia. Como bom mineiro o Dr. Alberto gostava de, ao final das suas aulas contar histórias de Minas. E não eram causos de muito longe não, dali mesmo do nosso pedacinho das Geraes.

Eu agradeço imensamente o presente do Sr. Zé Portugal, também à sua dedicatória na primeira página do livro. Ele me fez lembrar bem do seu pai. Sim, “Seu Zé”, o Dr. Alberto era um amante de nossa “terra natal”, Rio Preto.

Este pequeno livro de contos foi escrito em 1937. Só agora, muitos anos depois do seu falecimento, estas gostosas historinhas mineiras tornaram-se de conhecimento mais amplo do público. Lerdos como eu, só agora estou lendo.

É bom ressaltar que o livro ganhou Menção Honrosa da Academia Brasileira de Letras em 37, em Concurso Nacional de Contos e Fantasias. O parecer da comissão, formada, entre outros por Alceu Amoroso Lima e Pedro Calmon assim relatou no julgamento sobre o livro:

“-Nos Contos da Mata Mineira”, de Alberto Furtado Porgutal, ele se revela um escritor de regionalismo recomendável. Escreveu pouco. Os seus panoramas; e entrecho, tráem uma fina sensibilidade de homem de letras vinculado às emoções da vida rural”.

Também quem prefaciou o livro, editado pela Família Furtado Portugal em 2007, foi o já falecido desembargador, Sérgio Braga. Ele sentenciou a respeito do texto: “Percebi que estava diante de um escritor com um potencial enorme e que, na verdade não conseguiu tempo e espaço para se realizar literariamente”.

Contos da Mata Mineira é o único livro escrito por Alberto Portugal, embora tenha deixado escritos muitos artigos e crônicas publicadas no extinto jornal “O Municipio”, de Rio Preto.

No conto que abre o livro, “A Corcunda”, o autor assim descreve a tenebrosa história daquela ex-escrava: “A cascavel preparando o bote não seria tão terrível. Apanhou um pedaço de angu quente e, rapidamente, obrigou a criança a engoli-lo”.

“- Momento de pura maldade” - na expressão de Sérgio Braga – “em que a Corcunda atinge de maneira inaceitável uma pobre criança faminta que a rodeava na cozinha”. No conto “repugnante” – frisa Braga – “o menino acaba morrendo”.

Além desse conto ainda tem “A Tapera da Braúna”, “Na Lapa do Ladrão”, “O Sorteado”, “O Solitário” e “O Joaquim Retireiro”. Todos escritos à luz de lampião, conforme revela Alberto Portugal, na “Casa-sede do Sítio São Luís, na zona rural de Santa Bárbara do Monte Verde”.

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