Nenhuma piada de salão

Edição: 563 Publicado por: Marilda Vivas em 13/09/2017 as 08:57

 
Leitura sugerida

Em vigor

Conforme determina a Lei Estadual 72525/2017, independente de o cidadão ser ou não correntista da instituição, em todo o território do estado do Rio de Janeiro os bancos estão obrigados a receberem contas de água, luz, telefone e outras taxas. O texto prevê não só que as agências aceitem pagamento de boletos de concessionárias e tributos e taxas públicas nos guichês de caixa, mas também que exibam, em lugar visível para o público, um cartaz informando o inteiro teor da lei. Ao todo, os bancos tiveram 120 dias, a contar de 14 de fevereiro, para fazer as adequações necessárias para cumprir a determinação legal.

O projeto de lei foi proposto em 2015, pelo deputado Carlos Minc, a pedido do Sindicato dos Bancários e visa, sobretudo, garantir o direito do consumidor e também frear a redução dos postos de trabalho no sistema financeiro. Esta nova exigência, associada à lei do tempo máximo de atendimento, implica na urgência de contratar mais bancários, já que o atendimento de pessoas resultará no aumento de demanda.

Vale lembrar que em decorrência da escassez de mão de obra, a pressão sobre os bancários aumenta de forma significativa, não sendo poucos os casos de afastamentos, tanto por lesões físicas, quanto por transtornos mentais. Esta última causa vem ganhando destaque, uma vez que as metas abusivas e o assédio moral têm se intensificado nos locais de trabalho.

Em artigo, o jurista Jorge Souto Maior alerta para o fato de a reforma trabalhista dificultar a indenização por danos morais diante do assédio estrutural, advindo da cobrança por metas abusivas, uma das principais causas de adoecimento na categoria bancária.

Em pesquisa realizada pelo Sindicato entre abril de 2016 e abril deste ano, com 4.848 bancários, 47,21% dos entrevistados afirmaram que já trabalharam doentes. Quando perguntados se conhecem alguém que já trabalhou adoecido, 48% responderam de forma afirmativa (presenteísmo).

 

Presenteísmo

Expressão usual no meio corporativo. É o nome dado ao fenômeno de se estar de corpo presente no ambiente de trabalho, mas, por vários motivos o profissional não tem produtividade. Ou seja, o indivíduo está fisicamente presente mas a mente não está.

 

Reflexão

Na hora em que a legislação trabalhista é destruída, programas sociais e bolsas de pesquisa são cancelados, escolas e unidades básicas de saúde pública são fechados em vários pontos do país, em que o congelamento por vinte anos dos investimentos em serviços públicos e o avanço do desemprego ronda a casa dos quinze milhões de trabalhadores, me é de todo incompreensível não nos darmos conta da intensificação dos ataques do Capital à classe trabalhadora, com objetivo maior de retomar padrões de acumulação e lucros perdidos com a crise sistêmica do capitalismo, intensificada, sobretudo, a partir de 2008.  

No Brasil dos nossos dias, não podemos deixar fora desta conta a intensificação da violência no campo, com várias denúncias de assassinatos de trabalhadores e trabalhadoras em conflitos agrários.

Como esquecer a chacina de Colniza (MT), em abril deste ano, onde tombaram nove homens, entre 23 e 57 anos, após terem sido torturados? Além do maior refinamento no uso da violência, há a sua generalização e banalização: mata-se quem está na frente, conforme comprovam os dados amplamente divulgados da Comissão Pastoral da Terra.

Essa generalização atinge, também, no campo, quilombolas e comunidades indígenas, em decorrência do avanço do agronegócio em todas as regiões do país. Um ataque racista e massacrante contra os direitos das populações tradicionais.

Com aval de um Congresso que escarra a cada dia, no rosto de cada brasileiro, o governo Temer avança, sem medo de ser feliz.

 

“Cavação” – Revisa Fon-Fon, 1910

Do cronista Jack (Jackson de Figueiredo) dizendo sobre o clima de corrupção da Primeira República (1889-1930): “Ninguém que se preza cava a miséria de 1000 réis; a cavação visa sempre boladas de contos, coisa que dê pelo menos para uma viagem à Europa ou a compra de uma casa. O mordedor antigo tinha qualquer coisa de humilde e comovedor. Os cavadores de hoje têm curso completo de elegâncias e refinamentos maneirosos que os fazem parecer donos do mundo e de toda a gente que os cerca. Não precisa ter mérito, basta ter coragem...A cavação chegou com as avenidas e ruas largas e como as ruas largas e avenidas são eternas, a cavação parece que também se eternizará”.

 

Verbas para Valença/RJ

Segundo dados extraídos do SIAFI, no dia 3/9/2017, o Ministério do Esporte liberou, no dia 25 de agosto, R$ 58,5 mil referente ao Convênio nº 764965 – “Modernização e cobertura da quadra do bairro Jardim Valença”. O valor total deste convênio corresponde a R$ 292,5 mil. O detalhamento do convênio pode ser consultado no Portal da Transparência. Caso deseje obter informações sobre novos repasses de recursos federais a estados e municípios realizados por meio de convênios, faça o cadastro neste portal (www.portaltransparencia.gov.br/). As informações serão repassadas por e-mail a todos os que assim procederem. O objetivo da divulgação é ampliar a transparência pública e estimular a participação e o controle social.

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