Viagem a Capitólio

Edição: 563 Publicado por: Aloisio Melo Morais em 13/09/2017 as 10:13

 
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Nas nossas excursões turísticas as mulheres têm sido sempre maioria. Os homens, coitados, em minoria, nunca chegam a vinte por cento dos viajantes. Então, como é de se esperar: as mulheres é que são as donas do pedaço.

Vêm delas o burburinho, a algazarra, a folia e a alegria. Cantam, rezam, fofocam, dormem e roncam muito mais que os homens. Estes, acabrunhados, ficam afundados em suas poltronas, sempre do lado do corredor: não falam.

Balbuciam, apenas. E raro, quando ousam grunhir, são atropelados. É por isso que os homens preferem o silêncio obsequioso à exaltação frenética delas. Mas, enfim, sem as mulheres não dá pra nós, homens, passear. Seria tedioso.

Viajei recentemente para Capitólio, no sudoeste de Minas Gerais. O lugar é mágico com seus cânions de pedras. A represa de Furnas, abrangendo 34 municípios, tem mais de quatrocentos quilômetros de perímetro cercando as águas azuis do lago. É a região simplesmente de uma beleza sem igual.

É do homem a criação da represa, como também é do homem a geração da energia que transforma aquela água toda do rio Grande em eletricidade. Mas, como nada é perfeito, que o diga o Janot, a roubalheira dos políticos tornou Furnas escrava da corrupção.

Mesmo assim, a beleza daquelas águas azuis não se dobra à menoridade dos nossos Ali Babás. Ao contrário da lenda, os cânions, com suas belezas não deixam portas secretas nas suas paredes naturais para eles esconder as tais malas de dinheiro.

Ali, o que vale é a singeleza das cores do inusitado e não a ostentação das mansões com seus helicópteros nas escarpas. Agora, mesmo longe daqueles cânions, quando voltarmos, nós e nossas alegres mulheres, os encontraremos do mesmo jeito: belos e simples. E que nos aguardem!

Mas voltemos a elas. O comboio de dois ônibus parou para almoço numa churrascaria à entrada de Varginha. Fila imensa, oitenta pessoas, das quais 64 mulheres. Imaginem, leitores, o alvoroço pela fome e a fila custosa de andar.

Medo da comida acabar o falatório aumentou o tom. Mas, felizmente todos (as) comeram, e bem, diga-se! Só um probleminha de última hora. No acerto das contas uma delas brigou muito com a gerente do restaurante.

Ela não concordou com o total que a gerente lhe cobrou pelo almoço. Entregou o cartão para o processamento eletrônico e eis que a conta veio a maior: R$ 3,77 (três reais e setenta e sete centavos).

- O doce que eu comi foi R$ 3,51 e não R$7,28 – disse.

- Mas, minha senhora, está aqui no cartão.

- Não, esse cartão não marca direito, eu não comi isso tudo de doce.

Conversa mais, conversa menos, a fila já tinha acabado e os ônibus lá fora esperando para partir. E o impasse continuava. Até que a gerente, vencida, disse:

- Vou dar um desconto pra senhora então.

- Alto lá, não quero desconto. Quero pagar o que é justo. Eu não comi isso tudo de doce, repito.

Final da história: a nossa companheira de viagem pagou o que achava certo: R$ 3,51 pelo figo e o pudim. Já dentro do ônibus, o namorado dessa companheira, humilde e sentado ao seu lado disse:

- Nunca comi tanto pudim assim. Engraçado, o doce aqui é muito barato. Na hora de pagar o meu cartão eletrônico deu muito pouco, apenas R$ 3,51.

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