Valença

Edição: 565 Publicado por: Sonia Mautone Rachid em 27/09/2017 as 10:03

 

Eu quero uma cidade pra chamar de minha,

Plantada num chão que não seja só meu.

Uma cidade do tamanho do nosso pulo,

Diferente no trato,

Carregada de sorrisos,

Com gente que vai pra rua, só pra ganhar abraço.

Que não seja maquiada, fútil, monumental,

Mas antes, cidade do interior, envolvente, doce, especial.

Com ruas estreitas, pé de moleque e cerração,

Circulando silêncios, pra se sentir o tempo;

Casarios felizes, de pés juntos nas calçadas,

Com as paredes dando as mãos.

Eu quero uma cidade que transpire poesia,

Veste fina - pele de ovo, nas manhãs de céu azul.

Que se recolha em oração - Ave Maria,

Acolhendo a criançada

Em correrias livres com risadas

Nos seus jardins, nossos quintais.

Eu quero uma cidade mágica,

Com um coreto rendado,

Que guarde todos os sonhos - de quem foi criança um dia,

Ouvindo a retreta da banda

E os aplausos do tempo

Das sacadas em cantaria.

Eu quero respirar o ar limpo das madrugadas, 

Nas ruas lentas de paralelo.

E abraçar teu corpo lindo,

Que conta histórias - de tantas vidas,

Tecidas no pau a pique das senzalas...

Nos alpendres das fazendas

Em casarios monumentais.

Terra com passado é cidade viva,

Com marcas e culpas, sim.

Mas com coragem de viver

Heranças de uma cultura secular.

Cidade é como gente,

Revela a alma do lugar.

1 comentários

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Maria Teresa D'Alessio em 16/11/2017 às 17:43 disse:

A nossa Valenca - Princesa da Serra. Linda poesia!
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