Abastecimento consciente

Edição: 567 Publicado por: Marilda Vivas em 11/10/2017 as 08:39

 
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Nos próximos dias 25 e 26 de outubro, o Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro (Sinpospetro-RJ) realizará manifestações em postos de gasolina com o objetivo de chamar a atenção do frentista para o risco de abastecer os veículos após ser acionada a trava de segurança da bomba de combustível.

Em setembro deste ano, entrou em vigor a determinação que proíbe os cerca de 40 mil postos revendedores de combustíveis do país de abastecer o carro depois de acionada a trava de segurança da bomba de combustível.

Para conter respingos e extravasamentos de combustíveis líquidos contendo benzeno, a limpeza tem que ser feita com papel toalha e o trabalhador precisará usar luva que faz parte do Equipamento de Proteção Individual (EPI), sendo proibido, portanto, a utilização de flanelas, estopas e tecidos similares.

As ações fazem parte das atividades do Dia Nacional de Luta Contra a Exposição ao Benzeno, celebrado na última quinta-feira (5).  A data, criada em homenagem a Roberto Krappa, funcionário de uma refinaria da Petrobras, que morreu no dia 5/10/2004, vítima de leucemia mieloide aguda, em decorrência da alta exposição ao benzeno, tem por objetivo conscientizar os trabalhadores que manuseiam produtos que contêm benzeno sobre os riscos do agente químico, cancerígeno, contido na gasolina.

Desde setembro do ano passado, quando passou a vigorar o Anexo II da NR 9, os postos de combustíveis estão responsáveis pela higienização dos uniformes dos funcionários, mesmo quando as empresas encontram dificuldades para contratar lavanderias especializadas. A obrigatoriedade da lavagem do uniforme consta no artigo 11.1 do anexo II da NR 9, que trata, exclusivamente, da questão dos uniformes dos trabalhadores. A norma determina que a limpeza seja realizada, pelo menos, uma vez por semana. As empresas também terão que deixar à disposição dos funcionários um conjunto de uniformes extras para troca em situações em que haja contaminação pelo benzeno.

 

Benzeno, uma ferida aberta

Em 2001, em decorrência de atividades acadêmicas de pesquisa desenvolvida na região do Médio Paraíba fluminense, compareci a uma audiência pública no plenário da Câmara Municipal de Volta Redonda, requerida pelos Deputados Luiz Sérgio (PT), Nelson Pellegrino (PT) e Padre Roque (PT), então componentes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O assunto, contaminação química, direitos das pessoas contaminadas e deveres do Poder Público teve como motivação as numerosas denúncias recebidas de omissão do Poder Público e de abandono de cidadãos contaminados dentro e fora do ambiente de trabalho.

Naquele momento, ficou evidente a necessidade de haver maior controle da exposição ocupacional a solventes orgânicos, principalmente entre os mais jovens, em especial as crianças, visto, àquela altura, não ser incomum encontrarmos crianças trabalhando em atividades com práticas dependentes do uso de substâncias químicas. Daí a proibição do trabalho infantil, a título até de aprendizagem, nas oficinas mecânicas, em gráficas e funilarias pelo inescapável contato com solventes.

Não somente a questão do trabalho infantil. O incremento das ações de controle da exposição ao benzeno e a inseticidas de uso doméstico (exposição não ocupacional a solventes) resultou na obrigatoriedade de se informar no rótulo do produto, o princípio ativo do inseticida, como o propelente, que é uma mistura de solventes. Dê uma olhada nos inseticidas que temos em casa e encontraremos lá essa informação.

Especificamente sobre o benzeno, a exposição ocupacional ocorre principalmente nas atividades relacionadas à indústria do petróleo, da petroquímica, da borracha, da siderurgia, das usinas de álcool anidro, das gráficas, das atividades de pintura como um todo, da movelaria, da construção civil, da fabricação e do reparo de calçados, da agricultura e dos postos de gasolina, por motivo óbvio.

Avançamos na direção do resgate do que podemos chamar de direitos humanos difusos, mas não o suficiente O desrespeito a esses direitos tornou-se tão comum que não nos damos conta da realidade. Quando acordamos, estamos com centenas de problemas concretos diante dos olhos. Nesse sentido, como foi enfatizado naquele momento, qualquer fiscalização, por mais cara que seja e por mais gente que ocupe, é infinitamente mais barata do que qualquer remédio posterior.

O preço da saúde é a eterna vigilância. 

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